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Feliz Natal, um ano depois
Feliz Natal, um ano depois

Data: 22/12/2017

Há exatamente um ano o Observatório do Fluminense, através do seu Editorial, se manifestava da seguinte forma:

“A nova diretoria do Fluminense tomou posse esta semana. Um novo conceito de gestão, de governança, se apresenta como desafio. Sem lugar a qualquer dúvida, é preciso governar o clube com a maior austeridade possível, priorizando cada centavo, seja para o pagamento de contas passadas, seja na busca de um fluxo financeiro equilibrado.”

Transcorridos 365 dias desde então, este Observatório do Fluminense parabeniza a gestão do Presidente Pedro Abad por entender que se caminhou fortemente em direção à proposta inicial, mesmo que à época ainda fosse prematura uma visão mais profunda e real do pecúlio deixado pela má gestão do ex-Presidente Peter Siemsen, que engessou as finanças do Fluminense, comprometeu o fluxo de caixa e fabricou dívidas inconsequentes e irresponsáveis (com a participação explícita, durante muito tempo, do seu aliado, o ex-Vice-Presidente remunerado de Futebol, Mario Bittencourt) através de abruptas contratações realizadas entre 2015 e 2016, assim como bizarras renovações de contratos.

“Mas e o Departamento de Futebol?

É certo que desde 2013 o Fluminense vem falhando feio na condução da sua equipe de futebol. Colocações pífias e nenhuma disputa de campeonato (com exceção da conquista da Primeira Liga). A saída da antiga patrocinadora ainda não foi completamente absorvida, ainda não se encontrou a melhor definição do modelo que tem que ser seguido.

A gestão do Presidente Pedro Abad começa com esse desafio de voltar a fazer um time em condições de conquistar campeonatos, tendo a Taça Libertadores e a conquista do Mundial como meta.”

Apesar do excelente começo em 2017, que culminou com a conquista da Taça Guanabara, o futebol Tricolor naufragou no restante do ano. Entre um elenco limitado, o que obrigou a recorrer-se incessantemente aos jogadores oriundos das divisões de base, jovens de idade, imaturos em essência e em sua maioria carentes de técnica apurada, somado a inúmeras lesões (em sua maioria de origem óssea) e à necessidade imperativa da venda do jogador Richarlison, podemos concluir que se sofreu demais da conta conforme o passar dos meses. O somatório desses problemas aliado à falta de recursos financeiros que nos permitissem o pagamento dos salários em dia, nos levou a prematuras eliminações tanto na Copa do Brasil quanto na Primeira Liga. Já na Sul-Americana, apesar de cairmos de pé, ficou nítida a puerilidade que permitiu a reação do arquirrival, quando tínhamos entre mãos e deixamos escapar a classificação para as semifinais.

“O Observatório do Fluminense tem gostado da forma equilibrada, sem grandes alardes, do novo estilo de condução. Percebe-se muita tranquilidade, transparência, firmeza e planejamento nas palavras do Alexandre Torres, que é o profissional escolhido para guiar o Fluminense de volta ao topo.”

Foi uma análise precipitada deste Observatório do Fluminense. Simples assim. O Alexandre Torres, pessoa de excelente e ilibado caráter, deixou a desejar, decepcionou. Tanto ele quanto o Marcelo Teixeira, não mostraram o perfil profissional e de comando desejado para o nosso Departamento de Futebol. Erros básicos de posicionamentos e conceitos. Indisciplinas no elenco ficaram evidentes, como no caso “Richarlison – Palmeiras” e na vida desregrada de Wendel.

Se somarmos a isso a omissão que obrigou o treinador Abel Braga a atuar publicamente como Diretor-Executivo e Vice-Presidente da área, fica fácil entender o porquê da nossa pífia participação no Campeonato Brasileiro, onde sofreu-se mais do que o devido e imaginável, assim como ficamos curtos de objetivos quanto a uma classificação final que nos permitisse participar da próxima Taça Libertadores da América.

“É muito cedo para cobrar as pessoas que levam, oficialmente, três dias no cargo. Parece, e de forma absurdamente clara, que a maioria das pessoas derrotadas na eleição do dia 26 de novembro passado ainda não absorveu o resultado.”

O Observatório do Fluminense preconizou então o que seriam os 365 dias posteriores. A covardia com que segmentos e elementos identificados da política do Fluminense atuaram deixou latente que a vitória da coalizão política na eleição incomodou os interesses próprios dessas pessoas que desde o início pouco se importaram com o clube, implementando o caos como ferramenta de trabalho, em prejuízo da tranquilidade que se necessitava para o start da gestão nesse primeiro terço dela.

Mas não se recordam esses segmentos e elementos que grande parte de uma política equivocada de salários (jogadores cobrando emolumentos muito acima da realidade do mercado) e o mau trato com as finanças do clube foram idealizados por quem foi derrotado nas urnas.

A partir de agora é fundamental que a gestão do Presidente Pedro Abad entre no seu 2º ano de mandato pisando firme. Ajustes e alertas são bem-vindos.

Em primeiro lugar é preciso rever alguns entendimentos prévios com relação à política. Os erros cometidos este ano não podem ser repetidos: a aprovação das contas e indicações para o Conselho Diretor não podem ter apenas um cunho político e ficar presa a pactos que necessitam de revisão. Acima de tudo deve prevalecer o que for de real interesse para o Fluminense. A eleição para a presidência do Conselho Deliberativo que se aproxima pode ser o passo inicial com o qual se complementem conteúdos que possam ser oferecidos e que realmente acrescentem valores ao clube e ao seu futuro.

Quanto ao estado de vigilância, faz-se necessário que se proteja mais a figura do mandatário, mas não com irracionais blindagens, que em nada contribuem, e sim com ações que não permitam impulsos de destemores temerários, menos ainda de atitudes isoladas. E acima de tudo, que se faça política de democracia participativa, transparente.

Mas cabe a este Observatório do Fluminense reconhecer que, no somatório de tudo, o acontecido, na ressonância do “mais / menos” dos resultados obtidos dentro e fora do campo, que estamos diante de uma gestão cujo desejo e desenho projetam um Fluminense muito melhor, que caminha em direção à perenidade e, acima de tudo, sem as digitais das inconsequências e irresponsabilidades que por muito tempo direcionavam o clube, de forma acelerada, para um abismo sem retorno possível.

Resta muito a se fazer?

Sim!

E este Observatório do Fluminense, que nunca foi nem pretende ser chapa branca, estará sempre atento na defesa dos verdadeiros objetivos da Instituição. O que for de ótima realização será ressaltado, do mediano se exigirá progressos e o ruim terá a nossa total discrepância. Sem que ninguém esqueça que a perpetuação de um clube de futebol se faz com títulos e ídolos.

O Observatório do Fluminense, sabendo que “a bola não entra por acaso”, para a salvaguarda dos nossos princípios, estará sempre observando.

Feliz Natal a todos!

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