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Respeitem a história do Fluminense (por Mônica Cury)
Respeitem a história do Fluminense (por Mônica Cury)

Data: 11/01/2018

Subestimar o Fluminense é a pior coisa que alguém no mundo do futebol pode fazer. Hoje, até os próprios tricolores estão menosprezando essa camisa. Eu entendo, o momento é delicado. Mas, aprendam essa lição, o Fluminense é gigante. Para mudar isso, precisa-se de séculos.

Muitos agora falam que estão apequenando o Fluminense montando um time com baixo teto salarial e jogadores desconhecidos. “Estão achando que aqui é (coloque um time pequeno qualquer neste espaço)!” Para mim, apequenar o Fluminense é achar que um monte de jogadores desconhecidos vestindo a camisa desse time qualquer seja a mesma coisa que vestindo verde, branco e grená.

Me desculpem a franqueza, mas tem hora que é a torcida do Fluminense que gosta de apequenar o nosso clube.

Desde quando a gente só ganha título com jogador caro e famoso? Com time de estrelas? Vocês conhecem a história do Fluminense?

Eu também estou preocupada com a situação do clube e entendo que passamos por um período de crise, mas vamos com calma. Falar em rebaixamento certo antes mesmo da competição começar é subestimar essa camisa. Essa torcida apaixonada que faz o time correr.

Vai ser um ano difícil, mas é nessas horas que o Fluminense renasce das cinzas.

Conter gastos e viver a realidade não é apequenar o Fluminense!

Apequenar o Fluminense é ficar devendo. E não me interessa se todos os clubes do país devem. Nós não somos iguais a eles.

Apequenar o Fluminense é escolher ser sócio só quando o time te agrada. Ou quando tem jogadores renomados. Você torce para o Fluminense ou para o Fred?

Apequenar o Fluminense é deixar de ir ao estádio porque não tem craque para ver em campo. O maior craque que você vai assistir em qualquer jogo do tricolor é essa camisa. Nada pode ser maior, nada pode te dar mais vontade de estar na arquibancada. Se as três cores, por si só, não te levam mais ao Maracanã, talvez seja você que esteja diminuindo o Fluminense.

Apequenar o Fluminense é colocar a política do clube acima da história.

Apequenar o Fluminense é esquecer que essa instituição nasceu em 1902, já passou por momentos de glórias inigualáveis, erros catastróficos, títulos inesquecíveis e crises enormes. Que fomos ao fundo do poço e sozinhos nos reerguemos.

Apequenar o Fluminense é desistir do Fluminense.

Eu me recuso a aceitar que uma parte considerável da torcida acha que se você pegar os 11 jogadores titulares do Bangu e colocar eles com a camisa tricolor eles joguem exatamente igual. Jogam não! Aqui é Fluminense!

Outro dia eu tomava uma cerveja com um amigo botafoguense que me dizia: “O que eu acho mais maneiro no Fluminense é o temor que vocês causam ao Flamengo. Não há outra torcida e outro time no Rio de Janeiro que jogue contra eles como vocês jogam.”

Vai falar que isso é devido a algum jogador? Isso é HISTÓRIA. Ninguém apaga o que a gente representa não.

Só tem um jeito do Fluminense ir de mal a pior esse e qualquer outro ano da sua história: a torcida abandonar. Desistir. Sucumbir. Se a torcida estiver junto, resgatar a sua própria autoestima, força e coragem, independente de quem esteja na Presidência do clube, na portaria ou vestindo a camisa 10, pode botar qualquer seleção do outro lado que vai ter que suar para ganhar da gente.

Vocês não vão me convencer que essa camisa não ganha jogo. Estarei nas arquibancadas esse ano. E em todos os outros.

Saudações!

 

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Luiz Guilherme Siqueira - 16/01/2018 às 08h55
Mônica, mais um belo texto. Mas a atual falta de ambição ( esse é o problema real!) apequena o clube sim. Mas, enquanto torcedores, "haja o que houver, aonde quer que eu vá, sempre vou levar as cores que herdei; verde, branco e grená"! Saudações Tricolores!
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Rogerio - 11/01/2018 às 22h37
Nada a acrescentar... SIMPLESMENTE SENSACIONAL...
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Jorge Gonçalves - 11/01/2018 às 19h49
Os maores ídolos do Fluminense se destacaram mais pelo amor ao futebol (quem ama o futebol respeita a camisa do fluminense) do que por técnica. Pinheiro, Altair, Edinho, Denilson, Marcão, Washington, Assis, Fred etc não eram craques mas amavam o futebol e davam o sangue para ganhar uma partida. Gerson, Samarone, Ricardo Gomes, Romerito, Rivelino (esse jogava como se tivesse nascido e criado nas Laranjeiras), Deco etc aliavam o amor ao futebol com a técnica refinada. Hoje os jogadores perderam o amor ao futebol. Assim, acho difícil montar time com base na história da camisa. O caso Scarpa deixa isso claro. Além de mau caráter, mostrou que nunca teve interesse em se aprimorar e usa o futebol só para ganhar dinheiro (talvez por saber que em outras áreas isso seria impossível). Mas se querem a torcida de volta não montem um time como o do ano passado. Time sem amor ao futebol. A cada partida eles deveriam abrir os portais da internet e verificar se a sua atuação despertou atenção de algum clube. As falhas defensivas eram de envergonhar qualquer um que tivesse um mínimo de respeito aos ensinamentos básicos (olha que nosso técnico foi zagueiro). No entanto, elas se repetiam como se fosse normal. O Flu precisa resgatar sua fama de clube organizado. Não pode deixar que os jogadores usem os atrasos nas obrigações trabalhistas como justificativa para o seu descaso. "Vocês não sabem o que passamos aqui". era o mantra. Epa!!! Os tornozelos do "ESCAPA" e do Sornoza foram recuperados, Douglas foi curado de uma artrite que poucos conheciam e as lesões musculares ficaram dentro do padrão. Faltou o que? Alguém precisa alertar que vitórias trazem grana.
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