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O “golpe” de ser transparente (por Marcelo de Carvalho)
O “golpe” de ser transparente (por Marcelo de Carvalho)

Data: 08/02/2018

O universo da internet e das redes sociais trouxe para as relações interpessoais uma nova espécie de código de ética e de conduta. A informação que circula entre esse ou aquele grupo passa a ter regras específicas para não ser retransmitida para quaisquer outros, em nome de um velado pacto de sigilo, ainda que a informação não seja, nem deva ser sigilosa. Vivemos, pois, a era da boataria e fofocas cibernéticas.

Foi nesse contexto que foi tratado como “vazamento,” o fato de se tornar pública a informação dando conta de que um grupo de conselheiros do Fluminense, em perfeita consonância com o que determina o estatuto do clube, encaminhou à Presidência do Conselho Deliberativo requerimento solicitando reunião extraordinária com o Presidente para fornecer esclarecimentos sobre diversas questões de ultra gravidade, envolvendo o futebol e demais assuntos do clube.

Desnecessário comentar o momento agudo que vive o Fluminense Futebol Club, que tem sido alvo até mesmo de chacotas diárias, tamanha a profusão de notícias desairosas que são veiculadas.

Por isso a preocupação com os caminhos que o clube vem trilhando e a incerteza sobre aquilo que o futuro nos espera é sentimento mais do que natural por parte daqueles que têm o Fluminense como uma paixão.

Foi nesse contexto, movido não só por questões de ordem subjetiva, mas, sobretudo, diante de fatos graves e concretos, que um grupo de conselheiros, exercendo uma prerrogativa estatutária e, mais que isso, cumprindo com um dever que a condição de conselheiros lhes impõe, solicitou a sobredita reunião.

Fundamental que seja aclarado que não há em tal iniciativa NADA, mas absolutamente NADA, que possa ser apelidado ou chamado pejorativamente de GOLPE. 

Pelo contrário. A palavra golpe, muito utilizada no cenário político nacional, desde o impeachment da ex-presidente Dilma, assume o contexto de orquestrações obscuras daqueles que querem fazer um tomada de poder.

Não é isso que se pretende aqui.

Quando se torna público um ato, tal qual foi o do mencionado requerimento, pode-se classificar essa iniciativa de muitas formas, menos de golpe. Aliás, o texto é público desde seu nascedouro, já que o requerimento deve ser protocolado no próprio clube e encaminhado à presidência do Conselho, não havendo, portanto, nenhuma situação que sugira obscuridade em tal ato.

Sendo que não há outra intenção que não seja a de conhecer a dimensão dos problemas, bem como as razões que lhe geraram, visando-se projetar possíveis soluções, que motivaram aos conselheiros que firmaram o documento ora aludido.

Não se faz coro a críticas maldosas e difamatórias que, diariamente, são direcionadas à pessoa do Presidente, bem como ao principal grupo político que lhe apoia.

Existem divergências? Muitas, é verdade. Mas isso faz parte do regime democrático, regido pela lógica de que pensar diferente não significa pensar melhor ou pior.

Voltando-se para a questão central, o dado concreto é que chamar de “golpe” o ato celebrado pelos 41 conselheiros que assinaram o documento é, no mínimo, uma ignorância, quando não uma grande leviandade.

O requerimento volta-se para uma preocupação perfeitamente justificável pelas circunstâncias, buscando cumprir com um compromisso firmado em campanha, qual seja, o da TRANSPARÊNCIA, postura que vai em direção oposta à ideia de golpe, sendo que até mesmo pessoas ligadas ao principal grupo político de sustentação da candidatura Abad, a Flusocio, foram capazes de reconhecer que aquilo que se requeria era perfeitamente normal.

Insiste-se na assertiva de que não fazemos coro às inúmeras aleivosias pessoais que são, diariamente, dirigidas à pessoa do Presidente, bem como a alguns de seus assessores mais ligados.

Cumpriu-se, como já exaustivamente repetido, um dever decorrente da condição de conselheiro, escorado em uma prerrogativa estatutária. Não há golpe. Há apenas, a defesa incondicional e irrestrita do Fluminense Futebol Club através dos seus canais institucionalmente estabelecidos.

Simples assim.

 

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