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O rei está nu (por Rogério Miccuci)
O rei está nu (por Rogério Miccuci)

Data: 24/05/2018

Sempre nos questionamos sobre a existência do fanatismo na espécie humana. O artigo da Flusócio intitulado “Flusócio disse que grupo não entregou “resultados práticos” na gestão”, publicado no site lance.com.br no dia 19/05/2018 é um belo exemplo do que é fanatismo¹. 

Fui oposição à péssima gestão Peter Siemsen em seus dois mandatos, juntamente com outros membros do grupo Fluminense Unido & Forte, face ao amadorismo e às práticas lesivas ao clube, que nos conduziram ao caos financeiro e administrativo que hoje vivenciamos nas Laranjeiras. A história comprovou que tínhamos razão, inclusive com a debandada de muitos membros da Flusócio, que ousaram discordar dessa gestão temerária que está em continuidade no Fluminense, agora com o Pedro Abad.

Quando da coalizão para o pleito em 2016, havia um compromisso de uma gestão compartilhada e focada na excelência administrativa, o que não ocorreu. Em conversas com o ex-CEO, Marcus Vinícius Freire, ficou patente que ele não conseguiria implantar seu modelo de gestão profissional, inclusive com o boicote de alguns VPs às suas inovadoras ideias. O discurso inicial de Pedro Abad de que o CEO e a nova estrutura geririam o clube dentro das diretrizes aprovadas pelos Conselhos Diretor e Deliberativo, era mentira. O demissionário Paulo Autuori também disse o mesmo em recente entrevista, ao abordar um dos motivos de sua saída: a interferência de dirigentes amadores em seu trabalho. Em uma segunda etapa, voltaram os apadrinhados políticos, inclusive ocupando cargos inexistentes. Além disso, não foi dada publicidade sequer ao Conselho Deliberativo do relatório da Ernst & Young. Por que será?

Quanto aos “resultados práticos”, havia a necessidade inicial de mapear toda a organização do clube, então com inúmeras caixas pretas e feudos, alguns ainda existentes, onde cada um fazia o que queria em relação às contratações de ativos ou serviços. Mapeada a terra arrasada (o superávit virou déficit), havia a necessidade de adubá-la, com novas práticas de gestão que sinalizassem ao mercado investidor um rumo seguro e atrativo para seu suado dinheiro, como um fundo de pensão, por exemplo. Mas o que se viu foi o retrocesso às práticas administrativas lesivas ao clube, já vistas na gestão Peter Siemsen, cujas ações foram aprovadas por um omisso Conselho Deliberativo à época, igualmente responsável pelo caos atualmente vivido pelo clube. O recente recurso à financeira Lecca para poder honrar compromissos básicos obrigatórios é um exemplo do retrocesso.

Mas que “resultados práticos” esperava a Flusócio diante da volta ao amadorismo e às péssimas práticas de governança que Pedro Abad decidiu adotar, abandonando o modelo profissional de gestão compromissado e fazendo-se de mouco frente às sugestões da maioria do Conselho Diretor, do Conselho Deliberativo e dos diversos grupos que a ele apresentaram propostas? Investidores externos nacionais ou estrangeiros?

Pois iniciemos com os “resultados práticos”: saindo do discurso nas redes sociais e partindo para ações que sinalizem ao mercado investidor o comprometimento do grupo de apoio à gestão Pedro Abad, desafio os membros da Flusócio e apoiadores da atual gestão a investirem no clube, nesse momento, suas economias e seu patrimônio pessoal e, os então apoiadores da gestão Peter Siemsen a cobrirem os rombos nos cofres tricolores deixados pela gestão temerária daquele mandatário. Aí sim poderemos iniciar um debate sobre novos investidores para o clube. Caso contrário, como na 1ª lição básica de gestão, “na confecção de ovos com bacon, posar de galinha é fácil; quero ver se comprometer como o porco!”

Reconhecer os erros é uma virtude; seguir errando apesar de todos os indicadores e ainda assim defendê-los ou escamoteá-los, acusando os que apontam que o rei está nu² é fanatismo.

 

Rogério Miccuci é Sócio Proprietário e Conselheiro Eleito do Fluminense pela coalizão "Unido e Forte"

¹ Fanatismo é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em paranoides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fanatismo

 ² A roupa nova do rei - conto de Hans Christian Andersen.

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