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O futuro (por Vicente Dattoli)
O futuro (por Vicente Dattoli)

Data: 13/06/2018

Meu pai não era Tricolor.

Torcia pelo América. Estava no banco de reservas do time da Tijuca no título de 1960, conquistado contra o Fluminense, como convidado pelo treinador de então, Jorge Vieira.

Apaixonado por futebol, porém, não forçou a mão para que eu seguisse seus passos.

Mesmo porque seu time vivia triste decadência quando eu, moleque, comecei a me apaixonar pelo futebol.

E lá fui eu torcer pelo Fluminense.

Torcer, não, viver o Fluminense, chorar pelo Fluminense, desesperar-me pelo Fluminense.

O Fluminense foi minha primeira paixão.

Costumo dizer que tive uma infância e adolescência felizes com o Fluminense.

Ganhávamos sempre. Não conseguia imaginar ficar dois anos sem gritar "é campeão".

Até que vieram os anos 90.

A semifinal do Brasileiro, contra o Santos, parecia ser o aviso do que viria a seguir.

É certo que fomos prejudicados por árbitros, mas nossas más administrações colaboraram para que nos tornássemos chacota.

Por muito tempo não pude ver uma garrafa de champanhe sendo aberta com alegria.

Este ato me lembrava vergonha.

Aí, surge um grupo de apaixonados que decide mudar o rumo da prosa.

Mexemos no Fluminense. Demos direito ao sócio de votar diretamente no presidente - e que presidente...

Quando todos esperavam que chegaria nosso fim (como são tolos...), eis que ressurgimos.

E voltamos a ser respeitados, apesar de alguns ignorantes continuarem nos achincalhando falando da Série C - que vencemos.

O dinheiro não era farto, mas havia abnegação. E fomos buscar dois títulos nacionais.

Neste período, nascem meus filhos.

Nasceram, como o Fluminense, para ser campeões.

Minha família, aliás, foi formada a partir do Fluminense.

Ao contrário de meu pai, fiz de tudo para que meus pequenos fossem - SÃO - tricolores.

E os tempos pareciam favoráveis à manutenção dessa paixão.

Infelizmente, porém, pessoas que vêem o Fluminense apenas como uma caixa registradora, ou como fornecedora de recursos para ambições pessoais, quiseram refundar um clube de 110 anos de tradição.

Ao pensarem apenas em vantagens e dinheiro destroem nossa paixão.

Falam que sanearam as dívidas e a cada dia aparecem novas promissórias a serem pagas.

Desmontaram um time vencedor apenas para atender vaidades.

Destruíram uma geração inteira de tricolores com seus atos irresponsáveis.

Dilapidam nosso patrimônio, afastam nossa torcida - e se regozijam disso.

Como disse, não sou democrata.

Quero meus filhos tricolores, ao meu lado, vibrando e gritando "é campeão".

Só que, enquanto houver um grupo interessado apenas no que o Fluminense pode lhes dar de vantagem, vejo nosso futuro de forma sombria.

Como disse, minha infância e adolescência foram felizes com o Fluminense.

Quero isso para meus filhos e para os filhos de tantos outros tricolores, afinal, eles são o nosso futuro.

Afinal de contas, o Fluminense nasceu para ser eterno.

Vicente Dattoli é jornalista, conselheiro do Fluminense e pai de Enzo (10 anos, que nasceu na conquista da Copa do Brasil de 2007) e Pietro (8 anos, nascido no título do Brasileiro de 2010)

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João - 13/06/2018 às 17h00
Muito bom ! Parabéns
Responder
João - 13/06/2018 às 16h59
Muito bom ! Parabéns
Responder
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