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    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 11 ago 2015
Dia dos pais de Seu Cascata e Cascatinha à prostituição clubística (por Sergio Neves – “O amigo do Mario”)
Meia Gerson e seu pai conversando numa varanda

Meus amigos tricolores,

“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu. Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu. Quando criança só pensava em ser bandido, ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu. Era o terror da cercania onde morava e, na escola, até o professor com ele aprendeu.” (Faroeste caboclo, Renato Russo)

Uma canelada em bola dividida encobriu Cavalieri e a criatividade do Flu contra o Avaí logo no início da partida. Paciência! Os outros clubes, que poderiam nos ultrapassar, não obtiveram bons resultados, à exceção do Grêmio, que goleou um Inter destruído da noite para o dia por seus próprios dirigentes. Tudo terminou embolado nesse Brasileirão sem nenhum grande favorito.

O triste não foi a derrota. Acostumado que fui a assistir a lançamentos para o ataque feitos por Gérson (o verdadeiro, que jogou na seleção de 70, não esse do Paraguai, que vai a Roma) e por Deley, triste foi assistir a uma partida na qual o zagueiro Henrique tornou-se o responsável por ligar o time ao ataque, com um sem número de lançamentos.

Como explicar isso a meus filhos que levei ao estádio em Floripa? Faltou o Gravatinha? O fato é que não podemos contar sempre com o acaso. Vez em quando será necessário ser competente. Será necessário alguém que faça as mudanças no time e em seu sistema no momento certo e com as peças corretas. Nessas horas, em pleno fim de semana de Dia dos Pais, faltou alguém capaz de orientar o time em campo e reverter a situação, provocando os jogadores a atuar com intensidade e vontade suficientes para virar a partida. Fred fez falta. Pena que não tenha o hábito de viajar com o time, que é jovem e precisa do espelho de um pai vitorioso e responsável. Em nosso elenco, só Fred possui essas qualidades.

Fora de campo, cá entre nós, não temos nem treinador vitorioso e experiente nem dirigentes capazes de uma preleção eficaz e capaz de intervir no resultado do jogo. Fred faz falta nesses momentos, permitam-me repetir. Restou-me dizer a meu casal de filhos, que felizes éramos nós que crescemos com nossos pais. Faltou ao Fluminense um pai, alguém que orientasse, contasse as suas histórias e dos caminhos pelos quais optou, mostrando aos filhos os caminhos possíveis para chegar à vitória e à conquista de um título que esse pai obtivera. Faltou um Gérson ou um Deley fora de campo, os mesmos que faltaram contra o Vasco e em outros momentos.

A direção tricolor, porém, está preocupada com mídia e marketing. Somos um clube “revelador de talentos”. Adora mídia e marketing, mas recusa-se a trazer um boleiro para o futebol, a não ser o nosso simpático e valoroso Marcão, que não exerce esse papel, até por que não teve as oportunidades que Gérson e Deley (entre outros) tiveram em levantar taças de títulos.

Você torcedor! Quer usar uma faixa escrita “Revelador de Talentos” ou quer uma faixa de “Campeão”? Se você quer ser campeão, temos de mudar e rápido. Filho sem uma figura paterna, correta em valores e de caráter, para se espelhar podem chegar aos extremos ditos em Faroeste Caboclo ou desenvolver um caráter de pouca empatia social.

Comentei dessa falta de um pai no Fluminense com o Mário. Não deu outra, contestou-me. Já não bastassem os casos de pais de atletas, que são divulgados aqui e até na Espanha, aparecem no Flu pais de todos os tipos.

- Meu amigo, – disse-me Mário – temos de saber a diferença entre um pai e o Seu Cascata, que quer vender o Cascatinha a todo custo. As divisões de base recebem Seus Cascatas todo dia. Pai só aparece de vez em quando. O talento é uma raridade, nunca a regra.

- Mas, como saber a diferença?

- Um pai busca seu semelhante. Alguém que oriente e guie a carreira de seu filho como um todo. Um pai não aceita divulgação de mídia e marketing fora de hora. Exige que o Clube ofereça condições de treinamento e educação. Um pai jamais leiloa seu filho, numa espécie de prostituição clubística.

- E aí? Pai pode ser empresário?

- Amigo, o pai só contrata com o clube que lhe oferece um pai do outro lado para o seu filho. Mas, tem clube que exige o empresário. Aí, o relacionamento é de empresário para empresário, um querendo se dar melhor do que o outro.

- E quem sai prejudicado?

- O torcedor e o Clube. O primeiro porque acredita que tem um craque, uma promessa no elenco, que ou nunca se afirma ou sai do Clube ainda muito jovem. O Clube sofre, perde títulos e se resume a ser fábrica de negócios.

Saí a pensar. Será que revelamos talentos ou Cascatinhas no Fluminense?

Se revelamos tantos talentos, por que não temos sequer um craque no elenco que tenha sido revelado no Clube?

Como diriam Chico e Castrinho: - Meu garoooto! – Meu paipai!

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