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    Leandro Capela é graduado em Engenharia de Produção pela UFRJ e fascinado por interpretar números. Filho de Oxóssi e apaixonado pelo Fluminense, pela Portela, pela Carolina e por seus cinco cachorros, não necessariamente nessa ordem
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em foco • Por Leandro Capela • 05 jul 2016
Não falta dinheiro. O que falta? (por Leandro Capela - “Resenha em 3 cores”)

Enfim, Henrique Dourado chega às Laranjeiras. Já se ambientou ao campo do primeiro grande estádio do Brasil. Como toda contratação, torço enormemente, com uma fé cega, para que arrebente e dê muitas alegrias ao torcedor tricolor. Mas confesso que, a exemplo das outras aquisições recentes, não me anima nem um pouco.

Nem tanto pelo jogador, que, embora não tenha deixado saudades no Cruzeiro em 2015, com um mísero gol em 11 jogos, fez bom Brasileiro pelo Palmeiras em 2014 e foi vice-artilheiro. Vem de uma temporada com 12 gols no Campeonato Português e, quem sabe, pode ajudar o Fluminense a balançar mais as redes.

O que mais me preocupa é o desalinho entre discurso e prática realizado pela cúpula do futebol tricolor. Reunindo valores divulgados na imprensa, no ano, o Fluminense já empenhou cerca de R$ 30 milhões em transferências de jogadores. A torcida compra o discurso de que não temos condições de montar um elenco de ponta, ou contratar jogadores que encham os olhos, por causa de uma suposta falta de verba.

Trinta milhões. Sem considerar a folha salarial. As transferências dos zagueiros Henrique e Renato Chaves custaram R$ 12,1 milhões aos cofres tricolores. Vale lembrar que, até o momento, o ex-zagueiro da Ponte Preta jogou apenas seis jogos oficiais com a camisa do Flu, dois a menos que Marlon – que, diga-se de passagem, está prestes a sair a preço de banana.

Apenas a título de comparação, o clube de remo com sede na Gávea montou sua zaga titular há um mês a custo zero. Já outro clube carioca de remo, este de origem portuguesa, trouxe seu camisa 10 também a custo zero, na época em que nos vangloriávamos de trazer o Ronaldinho. E já está visando um camisa 9 também a custo zero. Não que os contratados por eles sejam craques, mas, ao menos são investimentos de baixo custo e, por isso, de baixo risco.

Em que mundo uma instituição em situação delicada nas finanças investe continuamente com alto risco, alto custo e baixo retorno? Vários contratos longos, de três, quatro anos, com jogadores que nem sequer tiveram uma temporada jogando um futebol de nível minimamente regular em suas carreiras. Algo está fora do lugar em Laranjeiras. Até quando teremos que ter essa fé cega de que tudo vai dar certo, mesmo quando não há nenhuma pista disso?

Há outro dado que indica uma coincidência nada agradável e que não nos rendeu bons frutos em 2015: segundo o site Transfermarkt, William Matheus e Maranhão, contratados e apresentados simultaneamente, são agenciados pela mesma empresa: a Europe Sports Group. Espero, de coração, que seja apenas uma coincidência ou, quem sabe, um equívoco do site de onde extraí a informação.

Não é nada aceitável que o Fluminense sirva de balcão de negócios para grupos de empresários, ainda mais considerando que os atletas dessa empresa representam, até o momento, 50% das contratações feitas com Jorge Macedo no cargo de Diretor de Futebol.

Muito se fala que há uma contenção de gastos por conta da construção do CT. Evidentemente, o novo local de trabalho é fundamental para o Fluminense tirar um atraso de décadas. Após sua conclusão, subiremos de patamar. Entretanto, como demonstrado, os gastos não foram nada contidos.

O elenco atual do Fluminense, quando treinar no CT, terá a mesma qualidade técnica que possui hoje, treinando no campo histórico do Estádio Manoel Schwartz. E, pelo que vemos hoje, não é competitivo o suficiente para nos fazer sonhar com voos altos em 2016. Repito: torço muito para que todas as contratações deem certo, sejamos pentacampeões brasileiros e bicampeões da Copa do Brasil.

Todavia, pelo andar da carruagem, teremos que rezar e muito. E é neste erro que não desejo que a torcida tricolor caia: o de achar que tudo se resolve na base do acaso, ou da camisa, ou de erros de adversários... Como foi em 2013 ou no último Fla-Flu, em Natal. Não podemos depender dos outros. O Fluminense não pode se acomodar com a mediocridade. O que nos resta é a tarefa hercúlea de torcer por aqueles que hoje vestem o manto verde, branco e grená.

 

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José Carlos - 05/07/2016 às 15h09
O fluminense virou a casa da mãe Joana , temos um presidente genérico e que não entende nadinha de futebol.
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