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    Mônica Cury
    Mônica Cury é jornalista pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Mineira de Juiz de Fora, curte mochilar pelo mundo e carrega a bandeira tricolor para onde quer que vá. Joga futebol, se arrisca no futevôlei, mas é craque mesmo na arte de torcer para o Fluminense.
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em foco • Por Mônica Cury • 27 jul 2016
Qual era o plano? (por Mônica Cury - “Um Sentimento Verde, Branco e Grená”)

O grande tricolor Nelson Rodrigues dizia que “sem paixão não dá para chupar nem um picolé”. Eu concordo em partes. Acho que a gente consegue fazer coisas sem paixão, mas o empenho é muito menor. Mas tem uma outra característica que, para mim, é ainda mais importante que paixão. E eu peço permissão ao Nelson para roubar sua frase. Sem planejamento não dá para chupar um picolé. E não dá mesmo.

Imagine uma criança abrindo um picolé pela primeira vez. Antes de qualquer coisa, ela observa o objeto. Ela precisa saber por onde começar. Mesmo sem total conhecimento do que está fazendo, ela calcula os riscos que suas mordidas podem ocasionar como, por exemplo, fazerem com que o picolé desabe. Então ela percebe que não pode começar por baixo, que a parte presa no palito tem que ficar por último. Isso é planejamento.

Para construir um prédio é necessário planejar até o que ficará por baixo da terra. Para realizar uma cirurgia deve-se seguir o planejamento, etapa por etapa. Para libertar um refém os policiais traçam um plano. Porque sem isso fica muito difícil obter sucesso em qualquer coisa que você faça.

Um clube de futebol tem que ter planejamento. Quando o ano começa sem isso, não adianta esperar bons resultados. Estamos no fim do mês de julho e só agora conseguimos uma “casa” para jogar. O Rio de Janeiro foi escolhido sede das Olimpíadas de 2016 em outubro de 2009. Desde esse dia sabíamos que o Maracanã iria ficar interditado. Caso alguém não quisesse “adivinhar”, tivemos a Copa em 2014 para mostrar como seria. A impressão que eu tenho é de que foram empurrando o problema com a barriga. “Depois vemos isso.” Ficou tão para depois que o Brasileirão começou e apenas na 15ª rodada conseguimos ter um estádio perto para mandarmos nossos jogos.

Isso é tão absurdo que não há defesa.

O fator “casa” é importante demais para ser algo deixado para depois. Então o que pensaram? Que a nossa torcida não faria tanta diferença? Pois agora descobriram que faz. E nem é só isso. Estamos falando de desgaste físico e emocional dos atletas viajando para TODOS os jogos. Estamos falando de gastos. E estamos falando, também, da impressão que a diretoria acaba dando a jogadores, imprensa e torcedores: a de que não existe plano algum, que tudo é uma bagunça, e que estamos mais para amadores do que profissionais. Quem gosta de trabalhar numa empresa assim?

Um time sendo formado no meio do campeonato visa o título? Em minha opinião, não. E é aceitável um clube como o Fluminense entrar numa competição sem o intuito de levantar a taça? Depois reclamam que a torcida não comparece, ou comparece pouco. Só pai e mãe vai ver o torneio do filho sabendo que ele não tem chances de ser campeão. Torcedor quer ver festa. Quer levar o caneco, presenciar o show de algum craque, apresentação de outro. No máximo ele se entrega ao time na hora do desespero, para não correr riscos maiores. Sem isso é complicado levar as pessoas aos estádios. 

Qual era o plano?

O professor Leandro Karnal costuma falar em suas palestras sobre a dificuldade que algumas pessoas têm em serem estrategistas. Ações estratégicas são aquelas que aparecem antes do problema - a expressão nasceu na Grécia e tem origem militar. O Fluminense precisa ter, em seu comando, pessoas com pensamentos estratégicos, capazes de se antecipar aos problemas, com experiência o bastante para traçar planos e prever crises.

Sem isso, fica muito difícil fazer com que o picolé não caia no chão.

 

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sandra monteiro - 28/07/2016 às 18h57
Parabéns Mônica seu texto é a realidade do Flu. Esta diretoria desconhece o que é planejamento. ST
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Jorge coutinho - 27/07/2016 às 14h00
Isso é falta de compromisso de uma diretoria que não conhece nada de futebol e não me venha dizer que priorizou o CT, pois se não existisse o AP estaríamos sem CT e sem Futebol. Vc falou tudo parabéns.... ST
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Mônica - 28/07/2016 às 15h45
Jorge, pois é. Concordo contigo. Dá para priorizar qualquer coisa que as outras continuam bem se houve um planejamento.
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