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    Sergio Neves
    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 19 jun 2017
Do golpe do doente imaginário ao doente real (por Sergio Neves - “O amigo do Mario”)

Terceira parte: Molière e a verdadeira doença do Flu

Viva Molière! Escreveu a peça “O doente imaginário”, no século XVII, querendo traduzir como os poderosos são falsos e vivem das mentiras para, de forma vil e conveniente, chegarem e manterem-se no poder. Os poderosos da época foram personificados pelos médicos, que arvoravam para si a condição de cientistas incontestes, mas que, no fundo, nada sabiam sobre as doenças que fingiam tratar, receitando os mesmos remédios sempre, no caso, um clister.

O que melhor do que um hipocondríaco para um médico mal intencionado? Os poderosos seriam, segundo e ao tempo de Molière, gananciosos, arrogantes, prepotentes e mentirosos profissionais. Alguma “mera coincidência” com o que assistimos atualmente no Brasil e, há pouco, no Fluminense?

O que melhor do que uma torcida cega por paixão para um comandante de Clube bem falante e com ideias supostamente novas a implementar?

O doente era o futebol do Fluminense. Apesar de vice da Libertadores, de uma Copa do Brasil e de um título de Campeão Brasileiro após 26 anos de jejum, os motivos da doença foram eleitos e divulgados por uma campanha na internet. Os Nomes de Alcides Fonseca, Toti Menezes, Roberto Horcades tornaram-se símbolos de malfeitores tricolores. Devidamente detonados e culpados por todos os males tricolores, a campanha de detração de pessoas prosseguiu. Só palavras, tudo sem provas ou ação fosse proposta perante o Judiciário. Uma campanha de mídia eletrônica bem articulada no meio jovem e mal informado, sem que os acusadores fossem nominados.

Por detrás de tudo isso, um plano de poder dos cientistas da bola, apoiados por facções, uma ou outra, arrebanharam um sem número de seguidores, que foram usados como massa de manobra e meio de divulgação da campanha detratória da direção do Clube, da qual, diga-se, o ex-Presidente participou ativamente na gestão Horcades.

Após convencerem a torcida de que o futebol do Fluminense estava doente, começaram um projeto de poder que lhes permitisse mandar e desmandar nesse futebol, que, na verdade, era o mais vitorioso naquele momento do futebol brasileiro. Todos os que entendiam de futebol no Fluminense precisaram ser eliminados. Mas como mandar no futebol se o clube tinha o melhor técnico do Brasil naquela época, que era Muricy Ramalho? Como dizer quais atletas comprar e quem vender, se o patrocinador, além de emitir opinião, não deixava que a Diretoria de Futebol tivesse acesso direto ao dinheiro da parceria?

Era necessário tocar no dinheiro e dar-lhe o destino querido. Portas do Clube foram fechadas a Muricy, pessoas de sua confiança foram demitidas e o Presidente não o atendia. Devidamente frito, Muricy pediu demissão, perdeu o centro, falou bobagem (é verdade) e deixou o caminho aberto aos cientistas da bola, que acabaram tendo de engolir Abel como treinador.

O golpe continuava. Conquistamos mais um título brasileiro, mas a torcida foi convencida que nosso futebol estava doente por conta da forte ingerência de uma espécie de “Coronel”, que mandava e desmandava no clube: Celso Barros. O que era a salvação passou a ser tratado como causa da doença. Cassaram aqueles que apoiavam Celso no Clube, como Sandrão, que, apesar de originário do basquete, fez um bom trabalho e cumpriu a sua missão no futebol. O método da mídia eletrônica foi novamente utilizado para as detrações desejadas e um momento de fragilidade financeira da UNIMED facilitou tudo e abriu caminho para o tão desejado fim da parceria.

Um patrocínio de quase 50 milhôes de reais ao ano foi atirado ao lixo e substituído pelo patrocinador de um time de segunda, o Botafogo, que era três vezes menor do que o da UNIMED. Qual a diferença? Além do valor, bem inferior, a possibilidade de gerir o dinheiro. Enquanto o QI de Celso era alto demais para entregar dinheiro nas mãos de incompetentes, o da Guaraviton desconhecia que o futebol do Fluminense estava sendo entregue a um acadêmico e a um mestre do futebol de botão.

São esses os nossos grandes mestres do futebol. Quem, normal em suas faculdades mentais e que goste de futebol, é capaz de apoiar uma gestão que contrata de Cristóvão, Drubscky a Enderson? Nenhum dos três opinou em nenhuma, absolutamente nenhuma, das contratações de jogadores no começo do ano de 2016. Quem é capaz de compreender a razão por que outros clubes conseguem manter atletas formados na base por três ou quatro anos, enquanto o Fluminense é um mero formador e vendedor de atletas jovens, que não completavam nem seis meses no clube?

Essa bobagem, clube formador, foi dita aos quatro ventos por um Presidente que não se importava com derrotas seguidas, com arbitragens desastrosas e contrárias ao Fluminense em todas as partidas. Um Presidente que deu poder a quem nada entendia de futebol assim como ele próprio, mas que encontrou muita coisa reconstruída e pronta para um êxito maior.

Essa última hipótese é reforçada, já que o pouco que ainda havia de bom no Fluminense foi deixado pela UNIMED e por Celso Barros, como Fred, Cícero e Cavalieri.

Como disse em outra crônica, montaram um elenco digno de Malhação da Globo para uma novela de horário nobre. Sem orgulho, ali previ, antes do final de agosto, que sofreríamos uma sucessão de derrotas por umas sete rodadas no Brasileiro de 2015. Nossas vitórias aconteceram por puro acaso e ele nos protegeu por algum tempo, mas os erros já estavam lá. Os vi, assinalei, mas nada interrompia a sanha de poder do nosso vice-presidente de futebol, que persistiu nos erros.

Não adianta demitir treinador. O Fluminense não estava doente e nem Celso Barros nem Roberto Horcades fizeram qualquer mal ao Clube. Caímos no golpe do doente imaginário e fomos tomados por um grupo de incompetentes, que atuam como um câncer, destruindo o futebol do Fluminense.

Não adiantava e não adianta demitir treinador, repito, finalmente, veio a demissão de toda a Vice-Presidência de futebol. Porém, os pecados não foram interrompidos, os cientistas continuaram no comando do Clube e passaram um 2016 tentando manter o Clube na primeira divisão e só, pois havia um objetivo maior: realizar um bom acordo com o futuro grupo a ser eleito ao final daquele ano para que nada fosse apurado com maior propriedade. Ao que tudo indica, houve êxito nesse sentido. Mas, de perguntar-se: como está o futebol do Flu?

Por sorte, temos um treinador que é do ramo e que queria estar no Fluminense. Todavia, aceitou um elenco tipo Malhação para o horário nobre do futebol. Realizou uma façanha até aqui, porém, as perdas naturais que ocorrem no elenco, a falta de substitutos à altura e a extrema juventude do elenco estão a cobrar seu preço.

O Fluminense não estava doente antes de 2012. Inventaram o doente e inventaram o salvador. Um desastre e só. Nenhum título, nada. O futebol do Fluminense foi um projeto de poder mal sucedido para todos nós. Destruíram nossa imagem num julgamento tolo como o da Portuguesa, onde deveríamos ter permanecido calados à espera de um resultado que já conhecíamos, patrocinadores de relevo não houve e não há, além do fato de que todos os craques evadiram, como Fred. Atualmente, temos muitos problemas e estamos financeiramente enfermos, pior, num país sem perspectiva de recuperação.

O doente, antes imaginário, hoje é real. A pergunta é: temos um bom profissional da medicina para nos conduzir à cura?

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Marcos Duarte - 23/06/2017 às 07h46
O doente nunca foi imaginário, sempre foi real. Como esquecer a retenção de imposto na fonte, FGTS e outros tributos federais, estaduais e municipais não recolhidos durante a gestão Horcades? Essa é uma das razões do Flu ter entrado no Profut. Os milhões não pagos em rescisões contratuais. O Flu precisou acordar um ato trabalhista para não ter tudo penhorado, inclusive sua sede em Laranjeiras. Lembra-se do que eram as instalações de Xerém ao final da maravilhosa gestão Horcades? Pelo jeito você é adepto do lema "para os amigos tudo, para os inimigos nada! ". Será que você acredita nisso que escreveu? A gestão do Peter foi desastrosa no segundo mandato, mas querer que acreditem que a gestão do médico gordinho foi uma coisa boa, é crer na imbecilidade alheia. E ainda vejo uns comentários idiotas aprovando esse conto de fadas contado por você. Os títulos conquistados pelo Flu (2005, 2007, o quase 2008, 2010, 2012) devem-se apenas ao investimento da Unimed e a mais nada. Assim como as contratações idiotas feitas nessa mesma época.
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Sandra Monteiro - 19/06/2017 às 19h19
Sérgio concordo plenamente com você. O grande vilão chama-se FLUSÓCIO. ST
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Muito bom. Parabéns - 19/06/2017 às 14h21
Muito bom. Parabéns
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