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    Tadeu Sergio, jornalista e ex-árbitro de futebol, tem no seu currículo a descoberta de grandes valores que fizeram parte do time tricampeão, entre eles, o Branco, o Jandir, o Tato e o Aldo
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em foco • Por Tadeu Sergio • 01 ago 2017
Castilho no último adeus (por Tadeu Sergio - “Bola redonda”)

Foi assim, ouvindo pelo rádio, já que então não existiam transmissões pela TV ao vivo, a televisão então engatinhava. Em casa de vascaínos (família de portugueses) acabei escolhendo o Fluminense por causa do São Castilho imaginário pelas ondas do rádio.   

“Corre pela ponta direita o atacante da “praga” cruzou na área e voa Castilho colocando pra’ escanteio”.

“Lá vem o contra-ataque vascaíno, chegou à meia lua da área, Lorico vai fazer o gol... Defendeu SÃO CASTILHUUU”.

“Pressão do adversário, bola dentro da área... É pênalti, marcou o juiz. Prepara Quarentinha, apitou o juiz, correu, um tijolaço, defendeuuu Castíílhuu”. 

Oduvaldo Cozzi, Luiz Mendes, Clóvis Garcia, Waldir Amaral, quem fosse o locutor fazia um estardalhaço com as defesas fenomenais e indefensáveis, mas foi Ary Barroso que protagonizou o apelido de São Castilho, o goleiro leiteiro, que significava ser sortudo.

Elasticidade, perfeita noção de tempo e espaço do atacante em frente a si, fechava o gol, voava como um pássaro e alcançava as bolas mais difíceis. Garantia as vitorias do Fluminense com defesas espetaculares e milagrosas. Mesmo sendo daltônico, talvez fosse esse o motivo de tanta qualidade em baixo das traves. Vez por outra, Castilho ia aos jogos dos adversários e ficava assistindo na geral, atrás do gol, para assim captar o bater de pênaltis dos atacantes adversários. Qual goleiro faz isso hoje?

Em pouco tempo virou símbolo do clube e logo passando a ídolo e tanto reconhecido que hoje na entrada do clube existe um busto em homenagem ao jogador que mais vestiu a camisa do Fluminense.  Era tão aguerrido ao clube que uma contusão que o incomodava porque não curava o faria passar por uma cirurgia, porém ele ficaria afastado do futebol pelo menos por uns seis meses, quando ele virou para o médico e perguntou se não tinha outra maneira de apressar a recuperação.  O Doutor disse que só amputando as falanges. Imediatamente ele respondeu: “então vamos amputar”.

Criou-se um reboliço, pois diretoria e departamento médico se dividiam. Ele acabou forçando a amputação para retornar em poucas semanas ao gol do Fluminense e assim foi feito.

Aproximei-me dele mais ainda quando passou a ser treinador. Virou também ídolo do Mixto de Cuiabá e treinou o Internacional e tantos outros clubes e no mundo árabe. Certa vez, em frente à agência do BEG (antigo Banco do Estado da Guanabara, posteriormente BANERJ), no Centro do Rio, na esquina com a Rua México, nos encontramos e ele abriu seu coração e revelou a sua mágoa com os dirigentes do clube que não permitiram que ele treinasse o Fluminense, a quem tinha dedicado toda uma vida de trabalho e de fabricar torcedores. Chegou a me contar que a elite do clube dizia que ele não tinha ‘gabarito’ para ser treinador do Fluminense. 

As vésperas de embarcar para o mundo árabe, foi a Bonsucesso, região onde viveu e que sua primeira família vivia, e se suicidou ao voar do apartamento para o solo do prédio. Dez anos depois, ao encontrar um dos componentes de sua comissão técnica (em Porto Alegre), que me disse que o Castilho ao tomar conhecimento dos resultados dos exames de saúde que fizera o levou ao seu último voo.

São Castilho, que estais no céu, rogai por nós!

 

 

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