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    Eduardo de Moraes
    Eduardo de Moraes é advogado criminal, tricolor de várias gerações, iniciando sua paixão nas arquibancadas das Laranjeiras sempre na companhia do seu saudoso pai, Evaristo de Moraes. Integrante do Flu2050, ocupou, nas gestões anteriores, cargos como Vice-Presidente e Diretor Jurídico.
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em foco • Por Eduardo de Moraes • 29 set 2017
Entre fantasmas (por Eduardo de Moraes - “A voz das Laranjeiras”)

Enterramos um fantasma (LDU), ressuscitamos outro (Segunda Divisão):
 
O Fluminense está doente e precisa da nossa ajuda. Não admito que falem, até o final do ano, de política, de impeachment, de amadorismo ou exaltarem outros candidatos, que perderam nas urnas.
 
Nesse momento, o único discurso existente é apoiar o time. De forma irrestrita. Esquecer erros cometidos no início do ano e apoiar o time. Ninguém, nenhum tricolor verdadeiro, cogita a situação vexatória de sermos rebaixados. É hora de união.
 
Nosso Clube, ao longo dos anos, vem sendo injustamente perseguido pela mídia e demais torcidas com a pecha de virador de mesa. Covardia isso. Nada mais equivocada tal ofensa. Jamais fizemos um esforço para alterar as regras do jogo. Disputamos (e ganhamos) a terceira divisão. Se decidiram alterar a fórmula do campeonato, que culpa temos?
 
Recentemente, a Portuguesa escalou um jogador irregular, com terceiro cartão amarelo. Creio que, nem no campeonato no Aterro do Flamengo, cometeriam uma “falha” desta natureza. E qual foi o clube diretamente beneficiado e que, coincidentemente, escalou na mesma rodada atleta em condição irregular? Qual?
 
São as mentiras que viram verdades se faladas reiteradamente.
 
Bem, escrevo isso para mostrar que somos os inimigos da nação há anos. Criaram, inventaram e iludiram a opinião pública com a imagem de que o Fluminense é trapaceiro, mau caráter. Covardia isso.
 
Desse modo, imaginem a reação dessa mídia poluída e das demais torcidas na possibilidade de cairmos nesse ano? Imaginem como sofrerão nossos filhos, nossos familiares e amigos e nós mesmos sendo enxovalhados, caçoados, diminuídos?
 
Nossa torcida não merece nova queda.
 
O momento é de união.
 
Precisamos reverter esse quadro. Hoje. Agora.
 
As minhas palavras servem como sinal de alerta (muito vermelho) e incentivo. A dor que nós, amigos e parentes, teremos com o rebaixamento, com a humilhação, com a idiota frase “paguem a série B”, poderá ainda ser evitada. É o momento de dar força plena aos jovens atletas e transformá-los em guerreiros. Eles vestem a camisa do nosso Fluminense e precisam estar mentalmente preparados, para enfrentar as batalhas que virão. E nosso Abelão (falarei sobre ele adiante), se tiver condições psicológicas de continuar (não se esqueçam da tragédia pessoal dele recente), precisará do nosso apoio.
 
“Em caso de perturbação no acampamento, a autoridade do general se mostra fraca. Se as faixas e bandeiras são deslocadas, sedição está acontecendo. Quando servos e ajudantes estão com raiva, isso significa que os soldados estão cansados” (livro a “Arte de Guerra”).
 
Estive nessa semana nas Laranjeiras. Claro está o clima de preocupação com o nosso time e a posição na tabela. Mas saí de lá com uma boa notícia: os salários e o direito de imagem estão em dia. Portanto, afastada qualquer conjectura – felizmente – de estarem nossos atletas fazendo corpo mole. Talvez os motivos pela vertiginosa queda de rendimento sejam outros.
 
Quero deixar consignado, antes de mais nada, que discordo da condução do nosso Futebol. Para nós, que vivemos e respiramos o Fluminense, já era esperada a dificuldade que passaríamos, nessa reta final de campeonato. Era tragédia anunciada.
 
Enquanto que, de um lado, a atual gestão, no projeto de profissionalizar o clube, colocou pessoas altamente qualificadas e sérias em algumas Diretorias (como, por exemplo, Vice-Geral, Vice de Marketing, Vice Financeiro, Presidente do Conselho Fiscal, Governança), do outro, não parece ter adotado o mesmo critério de excelência.
 
Seria impossível sair ileso, contratando: Romarinho, Marlon, Lucas e Robinho para a temporada 2017. E mais grave: vender Richarlison que, juntamente com o Ceifador, era um dos poucos que honravam a camisa, com gana, brio e poder de decisão.
 
Voltando à realidade, assistindo às partidas e afastada a possibilidade de corpo mole, chegamos à inarredável conclusão: o time está sendo mal dirigido. É um bando em campo. Onze ilhas dentro de um oceano infinito.
 
Não há esquema tático. Desorganizados, mal distribuídos, sem sistema defensivo. Nossa área é a Casa da Mãe Joana. Entra quem quer e quando quer.
 
E são sempre os mesmos e mal posicionados. Orejuela joga de má vontade há tempos. Não marca, só passa para trás, não corre. Se não quer vestir essa camisa, vaza. Banco nele. O mesmo se estende ao Wendel. Nesse caso, é sapato alto, estrelismo. Menino, você não é craque e, se continuar assim, destruirá sua carreira. Tenha humildade e volte a ser aquela grata revelação. O mesmo se diga ao Wellington Silva. Não sei o que aconteceu. Displicente, previsível. No início do ano, era a nossa sensação. Irreverente, partia para cima do adversário. Rapaz, volte a jogar aquele futebol. Deixou de ser tricolor, moleque de Xerém?
 
Finalizando na análise, Scarpa está mal posicionado na direita. Coloque-o no meio, ao lado do Sornoza. Além desse equatoriano, entendo que é o momento de colocar Cavalieri e Gum (se tiver condições físicas) como titulares, pois são experientes. Colocaria Richard e Douglas para termos marcação e pegada no meio de campo. Precisamos “fechar” a casa.
 
O importante é treinar. Treinar de verdade e não um mero recreativo. Vamos preparar nossos jovens atletas.
 
“Estude cuidadosamente o bem-estar de seus homens, não os sobrecarregue. Concentre sua energia e acumule sua força. Mantenha seu exército continuamente em movimento, elabore planos insondáveis” (“A Arte da Guerra”).
 
Já que falo de treino, cabe abordar um assunto que ganhou espaço na mídia: estaria Abel abalado psicologicamente pela trágica morte do filho? Será que, passados dois meses do acidente, a ficha de dor começou a cair? Não sei e somente uma pessoa terá essa resposta: Abel Braga.
 
Se, de fato, esse compreensível sofrimento estiver comprometendo o seu trabalho como treinador, que ele tome a iniciativa e peça um descanso. Repito: absolutamente compreensível a sua dor. O Fluminense está acima de tudo. E Abel sabe disso.
 
Todavia, na hipótese (e acredito nisso), de não haver qualquer interferência e relação entre sua vida pessoal e profissional, vamos, então, dar total apoio ao nosso comandante. Abel, você é o nosso líder e a torcida vem demonstrando apoio irrestrito ao seu trabalho.
 
Mas é preciso destacar um ponto: o time hoje é um bando. Não tem esquema, sem compactação e sistema defensivo da dar pena. Se não houver mudança dentro de campo nos três próximos jogos, o risco de cair – que já é iminente – se tornará quase certo. E, nesse caso...
 
Precisamos nos manter na Primeira Divisão. Estamos nos acostumando a viver perigosamente. Não temos mais ambição. Não cair é motivo de comemoração. Saudades da época do tricampeonato. Íamos ao estádio com uma certeza: muita garra e padrão tático. Nem sempre havia belas exibições. Mas saíamos orgulhosos daquele grupo. Saudades...
 
Vamos juntos. O Fluminense é um clube de superação e o ano ainda não acabou. Não temos saída. É preciso união. E exigir mudanças no time.
 
E não esqueçamos que nossa torcida faz a diferença na hora certa. Sempre fez. Vamos transformar esses jovens em verdadeiros guerreiros. Mais uma vez.
 
“Trate seus homens como filhos e eles o seguirão aos vales mais escuros. Trate-os como filhos queridos e eles o defenderão com a própria morte” (“A Arte da Guerra”).

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