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    O Engenheiro Julio Bueno, amante da MPB, sambista convicto, passou parte da sua infância e juventude na Glória, um dos bairros mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Pai e avô de gerações de Tricolores, leva o DNA do Fluminense no sangue há mais de 10 mil anos
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em foco • Por Julio Bueno • 11 set 2017
Príncipe de Conto de Fadas (por Julio Bueno - “Por um Fluminense perene”)

Imagine um jovem de 20 anos, morador das áreas mais desfavorecidas do nosso Estado, indo, em janeiro de 2017, jogar a Taça São Paulo. Ele que sabe que o futebol é o jeito de realizar  seus sonhos. Mas, que tem as dúvidas normais de todos os jovens ao iniciar uma carreira. Que se acentuam em uma atividade tão incerta quanto o futebol. Imagine a alegria desse menino de poder representar um clube grande em um torneio com visibilidade nacional.  E a sua esperança, a esperança de ser notado. Imagine a decepção desse jovem de ter o seu time desclassificado em uma fase quase inicial do torneio. Seu temor de, aos 20 anos, ficar imperceptível.
 
Quem poderia supor, ao acabar o jogo com o decadente Juventus da rua Javari, quando o Fluminense foi derrotado que, esse menino, chamado Wendel, poderia se juntar ao maior craque brasileiro da atualidade, no clube que ambiciona ser grande no mundo desenvolvido do futebol, o PSG, sendo reconhecido como uma das grandes revelações do futebol brasileiro.
 
Príncipe de conto de fadas. Certamente, nem ele, nem nós que o conhecemos naquele hoje longínquo torneio, poderíamos supor que tal história acontecesse. Imagine, se terminado o jogo em que fomos derrotados, alguém contasse o que iria acontecer nove meses depois.
 
Lunáticos!
 
Loucos!
 
Escritores de realismo fantástico seria o mínimo que,  quem se aventurasse na premonição, ouviria. Mas, foi o que ocorreu. Embora ainda não se tenha oficialmente anunciado a venda de Wendel ao PSG, parece que está por muito pouco.
 
Agora , pense na cabeça desse menino. Pense no sucesso que faz. Com sua família, com seus amigos. Há nove meses ganhava uns trocados para sobreviver. Hoje, tem a possibilidade de ter praticamente a sua vida resolvida.
 
Com os hormônios à flor da pele, imagine o carro novo, o assédio dos novos amigos, das lindas meninas que passaram a o rodear.  As tentações são muitas. O sucesso inebria.
 
O Fluminense precisa cuidar desse garoto com toda a atenção. O lema que eu vi ser proposto para as divisões de base, de "melhor cidadão, melhor jogador" é chave para sermos diferentes, humanizar o futebol. Temos concretamente um caso especial que precisará ser cuidado pelo clube, pela torcida, por todos nós.  O conto de fadas não pode terminar. O príncipe não pode virar sapo.

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Jorge Gonçalves - 11/09/2017 às 17h31
Concordo e lembrei de um conselho que o Pareira deu ao Roger: "menino cuida da tua carreira, você tem talento, o resto vira naturalmente".
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