HOME|EM FOCO|Sergio Neves|Decifra-me ou devoro-te: a esfinge tricolor (por Sergio Neves - “O amigo do Mário")
  • Sergio Neves
    Sergio Neves
    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
Ver mais colunas
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
em foco • Por Sergio Neves • 24 out 2017
Decifra-me ou devoro-te: a esfinge tricolor (por Sergio Neves - “O amigo do Mário")

Meus amigos tricolores,

Cabeça de homem, corpo de leão e asas de pássaro, a esfinge de Gizé posta-se há quase quatro mil anos instigando àqueles que a admiram a decifrar-lhe. Esfinge, na mitologia grega, era o ser que propunha charadas e estrangulava todos os que não as conseguissem decifrar. O que é o Fluminense atual, senão um grande e indecifrável enigma. Quem é o Fluminense?

Penso no assunto e o início do programa Globo Repórter com a voz de Sérgio Chapelin invade minha mente: - Fluminense, que time é esse? Quem contrata? Quem escala? Onde estão os seus jogadores? O que quer? Para onde vai?

Proponho um desafio da esfinge a todos: escalem o time do Fluminense em trinta segundos. Vamos lá, tentem. Nem Abel nem qualquer membro da comissão técnica é capaz. A escalação do Fluminense é aquela que vai a campo para aquela partida, uma espécie de prato do dia, preparado de última hora com o que havia de disponível no mercado. Parece a esfinge com cabeça humana, corpo de leão e asas de pássaro.

É mais fácil um garoto de 13 anos escalar o time campeão brasileiro de 84 e suas variações do que algum torcedor acertar a escalação da próxima partida. Como decifrar esse enigma? Quem é o responsável por essa situação ela qual o Clube passa?

Nós tricolores, se pensarmos em Fluminense e em campeonato brasileiro, certamente não dormiremos temerosos das terríveis lembranças das séries B e C, agruras a que fomos submetidos por administrações irresponsáveis para com o nosso futebol.

 “A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível”. Nelson Rodrigues, autor da máxima, interrompeu seu descanso eterno diante dos terríveis resultados, das derrotas consecutivas e dos incontáveis empates. A dúvida acordou e levantou os mais mortos de nossos torcedores, desejosos da certeza em permanecer na série A para retornarem a seu descanso eterno.

Começamos o ano de 2017 com poucas esperanças, é certo, mas o desempenho no Carioca ou mesmo no começo do Brasileirão inflaram nossas expectativas num time excessivamente jovem, feito em casa, que parecia ressuscitar a mítica do timinho, que tanto compôs nossas histórias de sucessos.

A equipe, porém, foi perdendo a forma, com desfalques por inúmeras lesões, queda de rendimento por soberba e assédio de equipes europeias, venda de jogador fundamental e sem substituto como Richarlison, aquisição de atletas de baixo custo e de rendimento duvidoso e tragédia pessoal do treinador. Tudo a impedir a repetição da escalação e a consequente obtenção de resultados favoráveis.

Abel tem feito mágica em buscar atletas na base, montar uma equipe apresentável, com um sistema de jogo de alguma consistência e escalar um time diferente jogo a jogo. Mais do que gênio, Abel é mágico e é, talvez, a única sorte do Fluminense em 2017. Fosse outro, já teríamos tido uma plêiade de treinadores e sucessivas demissões, pois filho feio não tem pai e a culpa tem de ser atribuída a alguém.

Culpa? Responsável? Esqueçam. O momento é de torcer, dar força, cobrar sim, mas de forma sábia e de reconhecer o trabalho de Abel, que é inédito no futebol brasileiro. Nenhuma equipe passou por um conjunto de situações semelhantes como as sofridas pelo Fluminense neste ano, nem teve um elenco tão reduzido e tão desconhecido e neófito em campo. A aceitação por Abel de realizar um trabalho sem qualquer condição de obter um resultado de expressão é digna de nota e do nosso maior apreço. Talvez o nosso Abel será o primeiro homem a descobrir o enigma da esfinge tricolor. Torçamos que consiga e que nossos torcedores retornem ao merecido descanso do sono perdido. A nós resta estar presentes aos jogos, torcer e apoiar sem pausa. Sobre a culpa por essa situação, a gente conversa depois, tudo a seu devido tempo. O que não se pode é brincar de futebol no Fluminense, exercer poder por capricho e querer colocar as contas em dia, ainda que, para tanto, a sobrevivência do futebol tricolor seja posta em alto nível de risco, afinal, cair para a série B é o pior destino para uma equipe grande do futebol brasileiro. Espero, sinceramente, que nossa diretoria pense assim, mas temo que haja pessoas que prefiram quitar dívidas e impostos a formar uma equipe competitiva.

Se confirmarmos nossa permanência na série A. Esse assunto tem de ser abordado para evitar mais risco de queda em 2018, enquanto uma eventual queda não pode ser esquecida e os irresponsáveis apontados.

E aí? Vamos decifrar esse mal que nos aflige ou vamos nos deixar ser devorados por ele?

 

VOLTAR PARA EM FOCO
Compartilhe
  • Googlemais
comente
Fuad - 24/10/2017 às 12h50
amigo sempre escrevendo com propriedade, parabéns Sergio Neves (amigo do Mario)
Responder
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
©2017 OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE
Os Woden