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    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 13 nov 2017
Os feijões nas chuteiras tricolores (por Sergio Neves - “O amigo do Mario”)

Um monge, líder de sua congregação, próximo do fim de sua vida, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois deles, uma mais jovem e outro de mais idade, já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia substituí-lo. O monge lançou a ambos um desafio para que sua sabedoria fosse posta à prova. Aos dois foram entregues alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha. O primeiro a subir e a retornar seria o eleito.

A prova tem início e os discípulos agrupam-se para assisti-la. Percorridos alguns quilômetros, o mais jovem dos discípulos concorrentes disparou. Parecia que venceria a prova com grande facilidade. De repente, o jovem começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. Oscilava entre corridas vigorosas e paradas que interrompiam o seu objetivo. Tentou avançar e fazia-o aos poucos, mas as bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás. Superado, observou seu oponente sumir de vista e descer num vagar contínuo e ritmado, suficiente para a vitória.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio sobre o seu futuro substituto. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta ao mais velho como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos sem sentir dor. A resposta demonstrou sabedoria:

- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei. Respondeu-lhe o mais velho.

A experiência faz a diferença.

O Fluminense montou uma equipe de jovens e aventurou-se na grande corrida do Campeonato Brasileiro, além de disputar a Copa do Brasil e A Sul-Americana. Irresponsabilidade? Sem julgamentos, eis que a crise financeira, tanto do Clube como a do Brasil é extremamente séria. O fato é que a nossa garotada começou bem o ano, venceu a Taça Guanabara, foi à final do Carioca, mas, já nesse momento, os feijões crus dentro das chuteiras começaram a cobrar o preço em razão da falta de experiência de muitos.

Em momentos importantes, nossos jovens atletas, chamados a substituir os antigos jogadores, demonstraram ainda não estar aptos a superar certas montanhas e caímos no caminho para Grêmio e Flamengo, além de outras equipes em partidas outras no Brasileirão. Foram desde contusões, atrasos salariais, deslumbramento por propostas do exterior e pelo fácil acesso ao time profissional, até o número escasso de atletas para se trabalhar. Houve erros, claro, de contratação e escalação, mas Abel e sua permanência à frente da equipe foram fundamentais para que o pior fosse evitado. Uma troca de treinador, a quebra de confiança e uma palavra mais áspera poderiam ser novos grãos de feijão a sangrar os pés dos jovens em suas chuteiras.

Faltam poucas rodadas para o término do Brasileirão e não seria hora de cobranças. O Fluminense precisa de pouco para permanecer na Série A, único objetivo que nos restou em 2017. De outra parte, isso é muito pouco para o Fluminense, que não pode entrar num campeonato sem ter por objetivo vencer, ir à final e trazer título e taças para as Laranjeiras.

Este ano, foi compreensível, diante de um quadro financeiro caótico, que nos valêssemos de promessas, que fizéssemos apostas e que nos contentássemos com esse pífio resultado. Porém, espera-se muito mais dessa administração do Clube para os próximos anos. Equilibrar as contas, sim, mas temos de ter uma equipe competitiva até o final da corrida até o topo da montanha, com atletas que saibam dosar o ritmo durante o percurso para que possam completá-lo dentre os primeiros colocados.

Nessas últimas quatro rodadas finais de jogos em 2017, que alguém recolha as chuteiras dos nossos atletas, retirem os feijões, cozinhem e deixem-nos macios para um sprint final sem surpresas. Temos de acalmar os nossos ânimos e os deles para que consigamos o último e único objetivo que nos resta que é o de permanecer na elite do futebol brasileiro. Houvesse mais uma gestão Peter Siemsen ou de seu vice Mário Bittencourt e o título desse artigo seria, “o último a sair das Laranjeiras, apaga a luz”. A quê, essas pessoas, reduziram o nosso futebol nos últimos anos?

Nós torcedores queremos acreditar. Esperemos que nossos atuais dirigentes não tenham feijões crus em seus sapatos. Conversei essa ideia com meu amigo Mário, que me respondeu com frase breve: - o que me preocupa, é o que têm na cabeça!

Saudações Tricolores e sorte a todos nós. Vamos precisar.

 

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