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    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 26 dez 2017
O Tricolor supera tudo e a tudo sobrevive: um misto de sentimentos para 2018 (por Sérgio Neves - “O amigo do Mário”)

Meus amigos tricolores,

Fim de ano, abro o jornal, página de esportes, para o Fluminense nada vem, só o ano novo parece vir, inexorável. Do Fluminense, qualquer coisa vai ou parece querer ir. Cavalieri, Gustavo Scarpa, Dourado, Wellington Silva, Henrique e Wendel são saídas anunciadas. Quem vem? Só o ano que vem virá, mas 2018 virá contrariado. Ontem recebi, num grupo de WhatsApp, um feliz natal do nosso antigo craque Paulo César Caju. Por um minuto, sonhei que era dezembro de 1974, que estaríamos prestes a abrir os jornais e ler sobre as contratações de craques como ele, Rivelino, Zé Mário, que se juntaram a crias da casa fenomenais como Edinho, Carlos Alberto Pintinho e Cléber. A Máquina imbatível de 75 e 76, bicampeã carioca, que venceu o melhor time do mundo, o Bayern de Munique do goleiro Sepp Maier, e dos craques Franz Beckenbauer, Gerd Müller e Karl Heinz Rumenigge.

Terminamos 2017 como o pior colocado dentre os grandes clubes do Brasil no campeonato brasileiro, onde comemoramos apenas 11 magras vitórias e fomos incapazes de vencer nosso arquirrival uma única vez sequer. Restou a emoção agoniante do risco de rebaixamento. Um ano para ser esquecido. Já houve anos piores, claro, Já fomos rebaixados algumas vezes, até para a série C. Nelson conta: “Em 1921, o Tricolor acabou o campeonato (carioca) em último lugar. Era o lanterninha absoluto. Mas o problema não se limitava à vergonha. Além desta, o Fluminense teria que disputar com o Vila Isabel uma eliminatória. Vejam vocês: caso perdesse, ele, que já era o maior clube do Brasil e do mundo, baixaria para a segunda divisão, enquanto o Vila subiria para a primeira. O Fluminense venceu, na decisão, por 3 x 1. Mas tudo isso não lhe causou o menor dano, porque o Tricolor supera tudo e a tudo sobrevive” (Coluna em O Globo, 14/01/1975, pág. 21).

Nelson resumiu o que estaria por vir em nossa história, então, futura: “o Tricolor supera tudo e a tudo sobrevive”. Como fomos maltratados por incompetentes duas décadas depois, como sofremos e como demoramos a superar o desastre que nos conduziu ao título inédito da Série C em 1999. Resgatados, conquistamos dois títulos brasileiros neste século, mas, novamente, teremos de superar mais uma desastrosa administração no futebol, que antecedeu a atual. A pergunta e o temor é se a atual administração terá tanto a devida competência para colocar as finanças em dia, como a condição de coragem para construir uma equipe competitiva para 2018 e equipes com chances de título a partir de 2019.

Futebol é resultado, não é só gestão. Um pode depender do outro, mas estejam certos que, como torcedores do Fluminense, não pretendemos comemorar título de melhor pagador, melhor cumpridor dos deveres tributários ou de time com a menor dívida. Queremos vitórias e a certeza absoluta de que o Fluminense vai se manter dentre os grandes do futebol brasileiro. Este ano contamos com Abel e com uma safra muito boa de atletas de Xerém, mas isso é contar, em parte, com a sorte. Não podemos desperdiçar grandes jogadores, admitir a sua saída para quitar dívidas ou reduzir custos.

Um grande time começa com um grande goleiro. A permanência de Cavalieri é fundamental, pois não temos outro à altura. Seu inexplicável afastamento de várias partidas, barrado sob o falso argumento de não ter uma boa reposição de bola, quase nos custou o rebaixamento. Parecia, aos melhores conhecedores, que se pretendia que Cavalieri buscasse uma outra equipe e que livrasse nosso time de um contrato elevado, celebrado na gestão passada. Precisamos de um cérebro e de um matador eficaz. Quem substituiria Scarpa e Henrique Dourado? Em que pese a boa intenção da atual gestão Abad em construir um Fluminense moderno e financeiramente equilibrado, livrarem-se de peças fundamentais à equipe não nos conduzirá a lugar algum no futebol, a não ser ao mal fadado rebaixamento. Nenhum jogador de xadrez entrega a sua rainha ou uma peça de alto valor como estratégia para vencer. Lembro, futebol não é feito com calculadora, mas sim com resultado em campo, na bola jogada, na vibração do gol marcado e do título conquistado. Não é quantia economizada nem lucro realizado.

2018 traz-me um misto de sentimentos, primeiro o de que a atual gestão reduziu nossa dívida tremendamente, e de que o fará de forma mais intensa nesse ano, pois mostrou-se competente a tanto. De outro lado, o ano nasce com a preocupação de que não teremos time competitivo se nossos principais atletas nos deixarem, e, com o devido respeito, essa mesma gestão ainda não demonstrou a vontade de ser campeã, de querer dar a volta olímpica, de ter vontade real de classificar-se para a Libertadores e dela ser campeão. Custa caro, mas isso traz receita, traz torcedor do bem, traz título e é isso que é a verdadeira essência e razão de ser de um Clube de futebol. O resto, diria meu amigo Mário, é clube de piscina e eu não sou tricolor de dar mergulhos, mas sim de levantar taças, de tudo superar e a tudo sobreviver.

 

 

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