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    Tricolor desde antes de nascer, Bruno Carril é advogado pós-graduado em Direito Desportivo e especializado em Leis de Incentivo ao Esporte, rockeiro de berço, sócio contribuinte e fundador do MR21
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em foco • Por Bruno Carril • 01 dez 2017
Um pouco mais de responsabilidade, por favor (por Bruno Carril - "Esse negócio chamado futebol")

 Prezados,

Eu confesso ter ficado um pouco assustado com algumas reações e manifestações que li e ouvi nas últimas horas, em razão de todo o ocorrido envolvendo o Abad, desde as primeiras horas da manhã. Acho que, antes de mais nada, as pessoas deveriam ter um pouco mais de responsabilidade sobre o que falam e repercutem.

É insano tentar politizar uma questão tão relevante através de uma visão completamente deturpada de quem, antes mesmo de possuir informações mínimas acerca do ocorrido, já haviam julgado e condenado uma pessoa que sequer era Réu. Pior, sequer é diretamente investigado por qualquer coisa.

A facilidade de chamar os outros de bandido, ladrão e até mesmo de pedir a prisão de uma pessoa sem uma informação sequer é absolutamente assustadora e beira a mesma insanidade atingida pelo momento político que o clube vive, em que as reações, em geral, e já não apenas de hoje, ultrapassam demais os limites mínimos da razoabilidade.

A questão me parece esclarecida. A Polícia Civil, FINALMENTE, parece ter começado a investigar a prática do cambismo nos estádios. Já não era sem hora. Apreenderam um lote de ingressos, vendidos por um membro de uma torcida organizada, dentre os quais estavam ingressos de cortesia, que, evidentemente, não poderiam estar sendo comercializados.

É natural, portanto, que o presidente do Fluminense, enquanto representante do clube, tenha sido intimado a prestar esclarecimentos, a dar o seu testemunho, sobre a forma como esses convites chegaram aos ditos "torcedores organizados" que naquele momento funcionavam como cambistas, e assim o fez. Esclareceu que, diante da dificuldade em atrair torcedores ao estádio, cedeu uma cota de ingressos às organizadas para que pudesse atrair mais torcedores, uma vez que o clube precisava disso, pelo momento esportivo que vivia.

É óbvio, podemos criticar o retrocesso que é voltar a ceder tais ingressos. Sou crítico ferrenho de tal prática e acho que o Abad merece TODAS as críticas do mundo por isso. Assim como, tenho minhas mais profundas críticas ao fato de não ter existido a transparência necessária acerca do que estava ocorrendo, tanto que, se todos soubessem que o clube havia voltado a ajudar as Torcidas Organizadas, grande parte das controvérsias e boatos nem sequer teriam sido iniciados.

Não estou aqui fazendo uma defesa do Abad. Ao contrário, tenho profundas críticas a esse modelo de sustentação das Torcidas Organizadas. E não deixarei de tecer minhas críticas quanto ao que entendo ser justo.

Mas isso é absolutamente diferente de chamar o presidente de bandido, de questionar seu caráter ou clamar por sua prisão. Isso, sim, é insano. Os fatos que levaram Abad a prestar os devidos esclarecimentos, sem condução coercitiva, frise-se, não se constituem como crimes, ilícitos ou algo que o valha. Ao contrário, é prática comum em diversos clubes brasileiros. Talvez até na maioria deles.

Já passou da hora de as pessoas serem um pouco mais responsáveis. Antes de ser presidente do Fluminense, o Abad é um pai de família, é um marido, é um profissional e é um cidadão. Ao se colocar na condição de presidente ele aceitou e se submeteu, sim, a ser ofendido em estádios, questionado por torcedores, criticado por sócios. E nada disso é errado.

Mas quando as pessoas usam um fato isolado, absolutamente deturpado, para destruir sua imagem e concepção moral, não enquanto dirigente de clube, mas de cidadão, é hora de pararmos e repensarmos até onde isso vai chegar.

Sob certo aspecto, muitas das pessoas que expuseram indevidamente a imagem do Abad da forma como fizeram, cometeram um crime que nem mesmo o criticado chegou a praticar. E se mostram, esses sim, com sérios problemas de postura e caráter.

Por fim, isso não é uma defesa do Abad. Ao contrário, eu repudio de forma absoluta o fato de o Fluminense ter retrocedido quanto ao formato de relacionamento com as torcidas organizadas e, ainda mais, a falta de transparência em mostrar ao torcedor e ao sócio o que estava sendo feito. Mas a minha crítica é ao presidente e aos seus atos enquanto presidente. Não à pessoa que sempre se mostrou correta em todos os momentos e não é merecedora do achincalhamento público que está recebendo, especialmente porque tal achincalhamento se mostra fundamentado em fatos deturpados.

Um pouco mais de responsabilidade, por favor.

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Fernando Moraes - 02/12/2017 às 12h07
perfeito!
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SIDATOR - 01/12/2017 às 20h46
Bruno,
Excelente comenário. Perfeito! Só não vou comentar acerca da gestão "flusocio" porque esse OBSERVATÓRIO, certa vez, me excluiu, me cortou porque eu criticava o Peter Siemsen e com absoluta razão. A partir dai, o Fluminense decaiu muito. Erros e mais erros que culminaram com a eleição do Pedro Abad que, embora me pareça ser uma boa pessoa, não reune condições de exercer a Presidência do Fluminense. STT.
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