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    Carioca, Engenheiro, Tricolor desde sempre, fã incondicional do futebol. Frequenta os estádios desde 1959, aos cinco anos. De Laranjeiras, para o mundo.
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em foco • Por Edgard Nascimento Neto • 24 jan 2018
MEMÓRIA TRICOLOR: Asprilla e a estreia do Flu em Edson Passos (por Edgard Nascimento - "Testemunha da história")

Há dezessete anos, neste mês de janeiro, pelo Carioca/2001, Taça Guanabara, segunda rodada, o Fluminense enfrentou o Madureira, o qual detinha o mando de campo, no Estádio Giulite Coutinho. Seria a primeira partida, na história do nosso Clube, no estádio próprio do America, na Baixada.

A marcação do jogo para o local gerava certa dúvida: era melhor encararmos o tricolor suburbano em sua casa, em Conselheiro Galvão? Ou no estádio, cuja referência principal era a estação ferroviária de Edson Passos?

Vários Tricolores torceram o nariz para este jogo, já deixando antever, infelizmente, uma geração que tem ojeriza e pruridos a estádios menores e distantes. Qual seria o motivo do repúdio? Ora, vejam, nossa camisa e nossas tradições estariam sendo representadas. O Fluminense, nem em seus primórdios, jamais atuou em apenas um estádio, mesmo após o advento do Maracanã.

Eu já passara inúmeras vezes pelo local, de trem, porém sem jamais ter descido naquela estação. A exemplo do Clube, seria também a minha primeira vez no estádio. Era um domingo quente, à tarde. A Rua Cosmorama, sem árvores, onde havia a entrada principal, parecia uma fornalha.

Tonhão, o churrasqueiro preferido do Baixo Cosmorama, grelhava seus acepipes em frente às bilheterias, na calçada oposta. Vários espetinhos, talvez não "felinos" - pois desprendiam pouca fumaça -, atraíam torcedores para o lanche pré-jogo. A ajudá-lo, uma de suas três esposas, talhada para tal: a Maria Auxiliadora. Ela, com um grande isopor ao lado, vendia bebidas bem geladas. Diversificação é isso.

O colombiano Asprilla vinha em ótima fase, destacando-se naquele início de ano. Valdir Espinosa, o técnico, dava-lhe liberdade em campo e indicava-o como cobrador da maioria das faltas. Todos esperavam a escalação do ataque "AAA", ou seja, Asprilla, Agnaldo e Alessandro, mas o treinador deixava este último no banco, não caindo na "pilha" da torcida.

Murilo, o goleiro, com seus costumeiros sustos, aceitava bolas fáceis, de longe, como em um dos gols do adversário. Com Marcão e Fabinho no combate, e os velozes Yan e Fernando Diniz, todos no meio-campo, a equipe era efetiva nas jogadas em triangulações, atuando em um bom gramado.

Tiago Silva, na lateral esquerda, péssimo em campo, foi sacado. Caaaalma, caaaalma...Esse Tiago era um lateral-esquerdo um tanto "porreteiro", ao contrário do Monstro, o Thiago Silva, com "agá", que estrearia cinco anos depois. Quem viu esses dois, viu a absurda diferença, tanto em posição, quanto em categoria.

Asprilla, de falta, Roni e Agnaldo, o centroavante, marcaram os gols da nossa vitória. Um torcedor, vestindo uma camisa grená bem desbotada, disse ao sair, arrancando risos, referindo-se ao jogador sul-americano:

- Esse "aspirina" é bom de bola!

De fato, Asprilla fazia a diferença e nessa partida, ele foi o melhor em campo, no triunfo por 3 a 2. Sentiu e foi substituído, sendo muito aplaudido.

Infelizmente, ao fim da competição, ele não seguiu no Fluminense.

 

TOQUE SUTIL: portunhol na lata

Viveros, um bom meia colombiano, emprestado ao Fluminense em 2001, fazia sua última partida pelo nosso Clube, coincidentemente com seu compatriota Asprilla, em Friburgo. Irritado, foi expulso. Quando saía de campo, um repórter indagou, "naquele" portunhol:

- Que passou, Viveros?

Resposta, no mesmo portunhol:

- No fuede...  

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Fernando Ventura Jr. - 24/01/2018 às 14h26
Tem certeza. Pensei que o Asprilla tinha se destacado no carioca sob o comando de Ivo Worthman, na época do Leny, quando os dois primeiros jogos ganhamos de 6 ou 8 a zero. Depois começaram a cobrar que ele também ajudasse na marcação e o seu futebol acabou.
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EDGARD - 25/01/2018 às 23h44
Caro Fernando, grato pelo comentário.
O Asprilla veio para o Fluminense, vindo do Palmeiras, em fins do ano 2000, estreando no Campeonato Brasileiro, com o Espinosa de técnico. Ficou durante seis meses, saindo ao fim do Carioca de 2001, indo jogar no México.
Fez boas partidas e poderia ter continuado aqui, mas saiu por uma oferta melhor.
O Ivo Wortmann ficou apenas um mês no Fluminense, em 2006.
ST!
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