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    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 05 jan 2018
Reapresentação do time em 2018: a gratidão “scarpou” de nós (por Sergio Neves - “O amigo do Mario”)

Meus amigos tricolores,

O ano começa, o futebol tricolor reapresenta-se e eu encontro meu amigo Mário, que me pergunta:

- Viu quem não se reapresentou no Fluminense?

Respondi logo: – Gustavo Scarpa!

Com um maneio lateral de cabeça a discordar e uma torcida de lábios, Mário perguntou-me: – E o Diego Cavalieri, apresentou-se?

Essa era fácil, pensei: - Ué! Cavalieri não se apresentou por que foi dispensado.

- A maior ausência na reapresentação do Fluminense, foi a gratidão, meu querido amigo, disse-me já se despedindo.

A fidalguia tricolor, referida no hino, deveria escrever na entrada do Clube a frase de Cícero – o orador romano, não o nosso meio-campo – de que “o primeiro dever do homem é a gratidão”. Após duas faltas consecutivas e não justificadas de Gustavo Scarpa, nosso novo homem forte do Futebol, o experiente Paulo Autuori, acentuou a falta de gratidão desse jogador para com o clube que o formou e projetou para o futebol.

Autuori está certíssimo. O Fluminense deu espaço para Scarpa, acreditou em seu futebol, promoveu-o de lateral a meio-campo, o que só veio a valorizá-lo no mercado, como também renovou seu contrato recentemente e, mais ainda, deu a Scarpa a titularidade de 40% de seus direitos econômicos. Scarpa tem todo o direito de, ainda assim, querer deixar o clube e jogar por outra agremiação, construindo a sua carreira, mas esquecer de dar notícia, agradecer ao clube e à torcida (ao menos à parte que o considera como craque, que é a maioria) pela oportunidade e apoio que lhe deram é uma desconsideração, uma falta de elegância que macula seu caráter como profissional. Na vida, é sempre melhor sair de forma elegante e altiva pela porta da frente e deixá-la aberta do que sair pelos fundos, de forma deselegante e cheio de empáfia e soberba.

Ainda que Scarpa tenha alguma mágoa de alguma pessoa ou dirigente tricolor, ele não pode deixar que isso transcenda para o Clube, para a instituição Fluminense e sua torcida. Se conselho vale, espero que o atleta busque uma explicação respeitosa, se apresente com as devidas escusas e treine até que sua transferência se efetive de fato, deixando de lado pretextos que lá tenha para essa conduta evasiva e ingrata.

A questão do atleta Gustavo Scarpa, porém, parece ser reflexo da conduta da diretoria do próprio Fluminense em relação ao nosso grande goleiro Diego Cavalieri. Faz-me lembrar o ditado bíblico "... todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão" (Mateus 26:52), mais conhecido pelo adágio popular “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Dispensar Cavalieri, terceiro goleiro que mais vezes atuou com a camisa tricolor, por telefone ou seja lá por que meios que não uma conversa digna e muito bem explicada não é coisa de fidalgo, é coisa de moleque, ainda que haja razões não ditas e não publicáveis para esse tipo de tratamento deselegante, Isso mancha a instituição Fluminense, cujos dirigentes têm de ser cultos e vividos o bastante para saber a lição de Cícero sobre a gratidão. Não a tivemos com Cavalieri, Scarpa não a teve para conosco.

As palavras de meu amigo Mário confirmaram a constatação de Gustave Flaubert há dois séculos: “Aos incapazes de gratidão nunca faltam pretextos para não a ter”. A fidalguia, a elegância e a altivez de caráter não admitem pretextos, só a verdade e a elegância do ser.

Nosso Paulo Autuori está certo, mas a todos os dirigentes que participaram da dispensa de Cavalieri, recomendo o texto “Em margem a dúvidas” de Milôr Fernandes:

Se você ainda mantém

A intenção moral-visual

De só encarar homens de bem

Segue este meu conselho:

Sai da rua,

Vai pra casa,

Tranca a porta

E quebra o espelho.

Craques, já nos avisaram, não serão apresentados. Porém, aguardo esperançoso que se reapresentem ao Fluminense a fidalguia, a elegância e, antes de tudo e todos, a gratidão, sem elas devidamente escaladas, nossa atuação em 2018 será digna de um sonoro rebaixamento... de caráter.

 

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