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    Carioca, Engenheiro, Tricolor desde sempre, fã incondicional do futebol. Frequenta os estádios desde 1959, aos cinco anos. De Laranjeiras, para o mundo.
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em foco • Por Edgard Nascimento Neto • 28 fev 2018
MEMÓRIA TRICOLOR: Flu (bom de bola e de briga) 2 x 0 River Plate (por Edgard Nascimento - "Testemunha da história)

Em fevereiro de 1972, preparando-se para o Carioca, o Fluminense enfrentou o River Plate, tradicional clube argentino, aqui no Rio.

Os clubes cariocas realizavam várias partidas, visando entrosamento, antes das competições. Esses jogos tinham o cunho de amistosos, mas eram disputados com uniformes completos, entrada paga e registrados com súmula. O jogo-treino, hoje comum, era raro.

Então, diriam todos os Tricolores, deve ter sido um jogão no Maracanã!

Não. Nada disso.

A partida fora marcada para General Severiano, no meio de semana, à noite. Com seus "potentes" refletores totalmente acesos, a cancha alvinegra, ainda assim, era um desafio às retinas de todos, mas pelo menos, a bola era branca. O público, reduzido.

O time já não contava com Samarone, nosso articulador, e o centroavante Flávio, o Minuano, ambos já em outros clubes. No quadro do River, que tinha o Mestre da "folha-seca" Didi, como técnico, os jogadores mais conhecidos eram J.J. Lopez e Alonso. 

Logo no início, Denílson machucou-se, dando lugar a Sérgio Cosme, que foi para a zaga, vindo Silveira para o meio. O jogo estava igual, até que houve uma falta. O próprio Silveira recebeu um passe e mandou um "tijolo" no ângulo do goleiro portenho, sem qualquer chance de defesa.

No segundo tempo, Cafuringa, incentivado pela torcida, continuava com sua correria e muitos dribles, irritando os adversários, que faziam muitas faltas, desferindo-lhe vários socos, bem à nossa frente. Mickey marcou o segundo gol e minutos depois, iniciou-se um conflito generalizado.

Todos brigaram, jogadores titulares e reservas, das duas equipes, e até as comissões técnicas. Didi tentava, em vão, apaziguar. O reduzido policiamento pouco podia fazer. Nosso zagueiro Assis, e Silveira, eram os que mais batiam. A torcida urrava, forçando e balançando o frágil alambrado. Um atento torcedor bradou, apontando para o nosso lateral-direito:  

- O Oliveira levou um chute na cara!

Isso realmente eu não vi, mas foi a senha para a invasão. 

Aqueles que conseguiram pular o alambrado, uniram-se aos jogadores, que já começavam a colocar os argentinos em fuga, em direção ao seu vestiário. Nosso técnico, Mário Travaglini, por pouco não foi atingido por um balde, que passou zunindo, a centímetros de sua careca.

É lógico que o jogo não teria condições de continuar, ainda mais que o River teve seis jogadores expulsos. Pelo Fluminense, o goleiro Jorge Vitório, Cafuringa e Mickey foram os excluídos.

De repente, um grito: a Polícia do Exército já teria sido chamada. Se era boato ou não, ninguém iria pagar para ver. 

Era época da ditadura, da repressão tenebrosa, dos anos de chumbo. Qualquer confusão, mormente aglomerações, a PE agia sem dó nem piedade. Saí do estádio com calma, com vários torcedores indo em direção ao ponto de ônibus, próximo ao Canecão, famoso local de espetáculos.

Em casa, meu pai estava apreensivo, pois ele ouvira tudo pelo rádio. Ao acabar meu relato, ele disse: 

- Que maluquice!

Verdade. Malucos éramos todos nós. 

E ainda somos.

 

TOQUE SUTIL

Ninguém foi preso. Vida que seguiu.

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