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    Carioca, Engenheiro, Tricolor desde sempre, fã incondicional do futebol. Frequenta os estádios desde 1959, aos cinco anos. De Laranjeiras, para o mundo.
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em foco • Por Edgard Nascimento Neto • 28 mar 2018
Edson Luís, a homenagem da torcida no gol de Cafuringa (por Edgard Nascimento - “Memória Tricolor”)

Há 50 anos, neste dia, em protestos por aumento de preço e pela qualidade da comida servida no Calabouço, restaurante estudantil no Centro do Rio, o estudante Edson Luís perdeu sua vida. Ele foi atingido por um tiro, disparado por um despreparado policial.

Naquela noite, pelo Campeonato Carioca, o Fluminense enfrentava a Portuguesa no Maracanã.

O clima era de terror e péssimo em toda a cidade. Os boatos e comentários corriam não se sabia a que velocidade, mas quem foi ao estádio ver o time vencer por 3 a 1, não imaginava a que proporções o funesto acontecimento de horas antes tomaria na cidade e em todo o país.

Estávamos em 1968, na época dos "anos de chumbo". A repressão político-social era intensa em todos os setores. Não havia contemplação.

O time treinado por Telê Santana partia determinado para o ataque, em jogadas rápidas pelas pontas. Como sempre, naquela época, os olhares mais aguçados identificavam agentes do "sistema" misturados à torcida, pois as aglomerações eram, quase sempre, monitoradas.

Eu não estava presente entre os sete mil Tricolores no estádio, mas nosso colega, o Magrinho, de saudosa memória, lá estava.

No sábado, após os acontecimentos, ele nos encontrou e relatou que depois do terceiro gol, marcado por Cafuringa, a torcida em um misto de alegria, emoção, revolta e protesto, gritou, no soar dos bumbos:

- Cafu, Edson...Cafu, Edson... Cafu, Edson...

Seus olhos marejados, sua voz entrecortada e sua emoção contagiaram a todos os amigos ao redor, que o escutavam atentamente. Todos nós o abraçamos fraternalmente. Disse ele, ainda, que um "calango" repressor, sentado a poucos metros, nada entendia ou fingia que nada entendia, permanecendo sisudamente no meio da arquibancada.

Despedi-me de todos, já planejando ir ao próximo jogo, no dia seguinte, domingo, em Madureira. Meu pai, receoso, disse que não permitiria que eu fosse e ele nem sairia de casa para me levar. Compreendi perfeitamente.

Nossa torcida, sempre pioneira e também politizada, emocionou a todos no Maraca.

E continua emocionando.

Ao Edson, ao Magrinho e a todos que se foram, nossa admiração e a nossa saudade.

Saudações Tricolores.

 

 

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Paulo - 29/03/2018 às 10h23
Espetacular
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Edgard - 02/04/2018 às 18h19
Amigo Paulo, grato pelo comentário.
Grande abraço.
Saudações Tricolores.
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