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    Eduardo de Moraes
    Eduardo de Moraes é advogado criminal, tricolor de várias gerações, iniciando sua paixão nas arquibancadas das Laranjeiras sempre na companhia do seu saudoso pai, Evaristo de Moraes. Integrante do Flu2050, ocupou, nas gestões anteriores, cargos como Vice-Presidente e Diretor Jurídico.
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em foco • Por Eduardo de Moraes • 16 mar 2018
O triste Fluminense em que o treinador coloca Dudu e o presidente contrata Simone (por Eduardo de Moraes - “A voz das Laranjeiras”)

Eliminados da Copa do Brasil. Perdemos uma boa grana e a disputa do título. Mais uma vez, nosso treinador errou na substituição. Na primeira partida, sacou o Sornoza. Tomamos um gol e perdemos. Dessa vez, colocou o (fraco) Dudu – quando deveria ter colocado Matheus Alessandro – e tirou o Richard – quando deveria ter tirado um dos fracos zagueiros. Desestruturou o meio de campo e o (fraco) Dudu foi expulso. Tomamos um gol e perdemos.

Gosto do Abel, mas um defeito tem-se revelado atualmente nele: não enxergar a partida. Ano passado colocou o inexpressivo Romarinho contra os mulambos e fomos desclassificados. Ontem o tal do Dudu. Não sou de crucificar jovens jogadores. Todavia, como colunista desse espaço, tenho a obrigação de escrever aquilo que vejo, sem tapar o sol com a peneira. A incoerência é manifesta: Abel sempre colocou o impetuoso Matheus Alessandro e esse se saiu bem. Por que ontem escolheu o Dudu, que nunca fez uma boa atuação? E tirar logo um jogador do meio de campo? Resultado. Eliminação.

Já irei emendar outro assunto: precisamos urgentemente contratar. É o nosso mantra: zagueiro, meio de campo (para dividir a responsabilidade com Sornoza) e centroavante (sugiro trazer um atacante de área, mas que não seja pesadão como o ruim Henrique Dourado).

Foi fácil perceber, na partida de ontem, que estamos bem servidos de laterais (e temos bons reservas) e volantes (ainda tem o Airton). No entanto, nossos zagueiros são fracos. Reginaldo não acerta um passe. Só sabe cabecear. Ibanez não passa segurança. E Renato Chaves e Gum são imprevisíveis. Sornoza ontem não estava inspirado. Não podemos ficar dependente de um único jogador cerebral, criador das jogadas. Precisamos contratar – logo – outro. E no ataque, o que se viu ontem foi o Pedro desajeitado. Ainda é menino. Tem que encorpar e ganhar experiência. Será um bom reserva. Mas, como disse, “reserva”. Precisamos contratar.

E já que falamos de contratação, recentemente o nosso presidente, ao invés de investir no futebol, trouxe Fernando Simone, conhecido dos tricolores, que será remunerado do nosso dinheiro como sócio.

A cada trapalhada (peguei leve), olho para cima e procuro uma câmera escondida: eu – como todos os tricolores – só podemos estar sendo vítimas de mais uma pegadinha. Mas não. Isso é real, meus amigos. Triste realidade. Triste Fluminense.

Nesse mundo já vi de tudo. Pessoas que gostam de sofrer (masoquistas). Outras que adoram ser humilhadas. Algumas workaholic. Há também aquelas que, mordidas pela mosca azul, se tornam donas do mundo. Mas, pela primeira vez, me deparo com alguém, presidindo uma instituição centenária, clamando pelo impeachment. O impeachment dele próprio. Surreal. Inimaginável.

Há ditados que dizem que o primeiro erro se releva. O segundo, é sinal vermelho ligado e o terceiro se torna inadmissível. Estamos, dentro do Fluminense – e no barato, sendo bem econômico –, vivenciamos o décimo grave equívoco (não enumerarei todos para não perder os meus amigos leitores) em parcos quinze meses de gestão.

Que desgraça. Scarpa foi de graça (que golaços ele fez no final de semana). Henrique zagueiro de graça (hoje defende o campeão brasileiro). Cavalieri de graça (hoje disputa o campeonato mais disputado do mundo, o inglês). Que desgraça!

Sucessão de erros e posteriores pedidos de desculpa: (i) demissão em massa, sem antes tentar negociar com os atletas; (ii) a forma sem fidalguia das dispensas; (iii) demissão da estagiária do jurídico após o clube não ser representado na audiência do processo Levir Culpi; (iv) contratação do todo poderoso e sonolento Robinho quando devíamos salários e direitos de imagem (o time despencou nos campeonatos); (v) não seguir a orientação do atual Jurídico que recomendou pagar ao Scarpa, antes que ele ingressasse com ação contra o clube; (vi) e-mail encaminhado por Marcelo Teixeira abrindo mão de 4 milhões de reais, que eram devidos pela transferência de Diego Souza (do Sport para o São Paulo). E Marcelo Teixeira continua no clube e nosso mandatário permanece em silêncio; (vii) o não cumprimento do TAC (Termo de Ajuste de Conduta), cedendo ingressos para torcidas organizadas e (viii) a Comunicação do clube que sofre de gagueira. E tem mais...

Como bem colocado pelo grande tricolor Antonio Gonzalez, em determinada rede social, “Assessoria Política e Comunicação da Presidência? E o Organograma da Ernst & Young? O cargo está previsto? A função descrita?”. São perguntas que jamais terão respostas convincentes. Estamos precisando urgentemente de jogadores e não diretores. Essa contratação, no mínimo esdrúxula e, novamente, monocrática, isolada – sem consultar seus pares –, revela que o nosso atual presidente descumpre o que combinou com o Conselho Diretor: gestão moderna e compartilhada. Não sei qual a intenção dele com essa nova investida. Se quer desafiar a torcida, conseguiu. Se quer tirar as pessoas sérias da Unido & Forte que compõem o Conselho Diretor, talvez conseguirá. Se quer montar o seu grupo para gerir o nosso Fluminense, está no caminho certo. Mas está errando em administrar o Fluminense Football Club. O Fluminense é nosso, não dele. Era para ele nos representar. E não consegue. Talvez ele esteja cavando a própria cova. Impeachment? Nunca fui simpatizante, pois eleição se ganha nas urnas. Mas, pelo visto, é tiro no pé a cada semana.

Quero deixar claro que nada tenho contra a pessoa do Fernando Simone. Ele participou, no passado, de uma gestão ruim no futebol. Todavia, seria leviano da nossa parte atribuir unicamente a ele as equivocadas contratações. O ponto nodal, nesse momento, é a sua recontratação (cargo remunerado), quando precisamos urgentemente de jogadores. E convenhamos: é de uma infelicidade sem precedentes chamar alguém para ocupar cargo de confiança (cargo remunerado), quando esse alguém teve uma saída no clube desgastante.

Após mais uma dolorosa e precoce eliminação na Copa do Brasil, de positivo nessa semana foi a vitória (ainda que parcial) obtida pelo Jurídico, sob a batuta de Miguel Pachá e Cacá Cardoso, cassando a liminar do traíra Scarpa.

Esses (Miguel Pachá e Cacá), sim, me representam.

Saudações Tricolores.

 

 

 

 

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