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    Eduardo de Moraes
    Eduardo de Moraes é advogado criminal, tricolor de várias gerações, iniciando sua paixão nas arquibancadas das Laranjeiras sempre na companhia do seu saudoso pai, Evaristo de Moraes. Integrante do Flu2050, ocupou, nas gestões anteriores, cargos como Vice-Presidente e Diretor Jurídico.
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em foco • Por Eduardo de Moraes • 06 jun 2018
João Carlos não! Mil vezes não! (por Eduardo de Moraes - “A voz das Laranjeiras”)

Abel destrói o que constrói.

Se é autoflagelo, automutilação, eu não sei. Mas a vítima, mais uma vez, somos nós: a torcida tricolor.

Ano passado, a contratação inusitada de Romarinho, por haver supostamente atuado bem, na Copa do Brasil, representando o Globo do Rio Grande do Norte. Esse foi o critério para a aquisição. O mais grave estaria por vir: insistir com Romarinho. Até que, na Sul-Americana, no Fla x Flu em que vencíamos, o nosso treinador colocou o rapaz. O resultado todos nós sabemos. Destruiu o que construiu.

Copa do Brasil 2018. Temos um único jogador cerebral: Sornoza. Novamente, de forma surpreendente, contra o Avaí no Engenhão (e acho que na fase anterior também agiu assim), sacou o nosso único armador e colocou um Matheus aí da vida que, não apenas entregou o ouro ao bandido, como perdemos a partida. Obviamente, fomos eliminados. Destruiu o que construiu.

Agora Campeonato Brasileiro. Com extremo mérito, nosso treinador montou eficiente esquema com três zagueiros, dando liberdade aos bons laterais Gilberto e Ayrton. Conseguiu também encaixar o meio de campo com Richard (nosso cão de guarda), Jadson, Marcos Jr, além dos insubstituíveis Sornoza e Pedro. Criou um padrão de jogo invejável. Bonito de se ver. Toque de bola, movimentação, triangulação, sem o odioso chuveirinho. Passamos a apresentar, a meu ver, o melhor futebol no Brasil (ao lado do Grêmio). A partida que mais me impressionou foi justamente aquela em que perdemos para o Botafogo. Que atuação. Faltaram os gols e sobraram as falhas da defesa.

Foi, então, que um dos nossos jogadores indispensáveis (Pedro) se lesionou. Nosso elenco é bem enxuto – admito –, mas temos que ser inteligentes nas poucas peças de reposição. Precisamos ser inteligentes na manutenção do ótimo sistema de jogo criado (futebol leve e de movimentação).

Mas Abel destruiu o que construiu. Essa escalação do João Carlos contra o Paraná, último colocado, foi um grande erro. Deveria ter começado com Pablo Dyego. João Carlos é lento, pesadão, não combina com o estilo de jogo do atual Fluminense. Talvez não combine com o Futebol, mas não condenarei o rapaz. Ele não pode ser responsabilizado pela sua própria contratação.

Depois da atuação horrorosa contra o Corinthians – a entrada dele nos trouxe a derrota –, Abel escalou-o como titular. Que loucura, meus amigos. E já agora engato uma indagação: é verdade que esse fenômeno é empresariado pelo filho do treinador? Não acredito nisso. Não é possível que Abel tenha dado aval. Mais cedo ou mais tarde viria o conflito, o constrangimento de escalar esse jogador. E fomos vítimas disso na segunda e, ao que tudo indica, na próxima quinta.

E não satisfeito, colocou o sonolento Robinho – o professor de sonoterapia – no lugar do Marcos Jr (lesionado no decorrer da partida), quando tinha no banco jogadores de velocidade (Pablo Dyego ou Matheus Alessandro). Ainda não satisfeito, quando teve oportunidade de tirar o grande João Carlos no intervalo (que já tinha um amarelo e pedia para ser expulso), manteve-o na segunda etapa. Ou seja, tudo aquilo que ele criou (futebol rápido, leve, envolvente, de movimentação) foi destruído. Praticamente um lindo trabalho jogado no ralo. E assim foi formado o casal 0 (João Carlos e Robinho).

Não podemos deixar de eximir de responsabilidade o nosso presidente. Por mais que exista grave crise financeira, ao invés de contratar, com criatividade, jogadores de reposição para Sornoza e Pedro, optou por trazer de volta, e de forma remunerada, Fernando Simone. Isso sem falar que, recentemente, saíram nosso CEO e Paulo Autuori, ou seja, dinheiro há.

Ao que tudo indica, pelas entrevistas, Abel colocará a fera João Carlos contra o Flamengo. Show de horrores novamente. Destruiu o que construiu!

É hora de ouvir a torcida. Não somos burros. Mantenha o futebol vistoso, com leveza e movimentação. João Carlos não! Não se sinta constrangido. Pense em nós.

* * *

Odeio falar de política e, em outra oportunidade, serei obrigado a fazer. A saída dos excelentes, sérios e competentes cinco vice-presidentes foi maléfica para o Clube. Abad não cumpriu com o que acordou. Não colocou em prática a gestão compartilhada, moderna e profissional. Ele se apalavrou com a Flu2050 e, por essa razão, aceitamos a adesão antes das eleições. No entanto, no decorrer da gestão, veio a decepção. Aos poucos, foi tirando o profissionalismo que deve – e deveria – prevalecer no futebol moderno: o CEO, Autuori e, agora, os cinco vices. Será que ele abriu champanhe após a saída do quinteto?

Por outro lado, sobre a Flusócio, já passou da hora de uma oxigenação no Fluminense. Esse grupo está lá há anos e é corresponsável pela gravíssima crise financeira pela qual passa o Clube, uma vez que atuou diretamente como “situação”, cedendo aos quadros do Fluminense componentes que integraram e integram as gestões (como, por exemplo, o próprio presidente Pedro Abad). Não conheço quem compõe esse grupo. É certo que há pessoas de bem e tricolores de arquibancada. Mas chegou ao fim – para mim e para toda a torcida tricolor (basta ouvir e assistir aos cânticos nos jogos) – a era Flusócio. Acabou. Impressiona-me o exacerbado desejo desse grupo em querer se perpetuar no poder. Por que motivo? Não sei. Nem quero saber. Fluminense não é política, não é trampolim e nem espaço para projeções pessoais. Desconheço se é essa hipótese. Pouco importa.

O relevante é que precisamos de renovação, de novos ares. Dar oportunidade a outros, a pessoas capacitadas, conectadas com gestão profissional, compartilhada e moderna (PCM). Talvez por essa razão que a Flusócio e Abad não aceitaram a mentalidade arejada dos cinco vices que foram impelidos a sair. Flusócio e Abad talvez se assustaram. Seria muito profissionalismo, compartilhamento de ideia e modernidade (PCM) para eles. E esses cinco vices, como a própria Flu2050, tiveram grande dificuldade em trazer investidores e patrocinadores justamente em razão do quadro caótico e oculto financeiro que se apresentou; quadro caótico esse que germinou e nasceu enquanto esteve (e ainda está) a Flusócio como “situação”. Portanto, uma dica: Flusócio, se, de fato, vocês nasceram da arquibancada, volte para lá.

 

Deixadinhas:

 

- Como esse Marlon é fraquinho. Errou todos os passes. E o Mascarenhas?

- Gilberto faz falta;

- Vamos trazer o futebol envolvente e rápido de volta;

- Nossa sequência será bem difícil;

- Mantenha o que construiu com méritos, Abel. Simples assim. ST

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