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    Carioca, Engenheiro, Tricolor desde sempre, fã incondicional do futebol. Frequenta os estádios desde 1959, aos cinco anos. De Laranjeiras, para o mundo.
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em foco • Por Edgard Nascimento Neto • 27 jul 2018
Amoroso, a lucidez aos 80 anos (por Edgard Nascimento - "Testemunha da história")

No final de março deste ano, nas Laranjeiras, numa manhã de sábado, nossa equipe Sub-20 obtinha uma boa vitória pelo Carioca da categoria.

Eu e o amigo Celso Azis identificamos um senhor que apreciava a partida com interesse. Era José Amoroso Filho, o Amoroso, que foi nosso Campeão Carioca em 1964 e artilheiro daquele ano. Ao fim do jogo, nos aproximamos para cumprimentá-lo, pois ele é um de nossos ídolos no futebol. Ele nos disse que ali nas Laranjeiras sentia-se à vontade, pois estava em casa.

O assunto que ainda rendia comentários era o jogo pela semifinal do Carioca de profissionais, no Maracanã, disputado dias antes, contra os remadores da colina. Depois de um arremesso lateral assinalado pelo árbitro, erroneamente para eles, houve uma sequência de lances que poderiam ser evitados, já no fim da partida, e que deram origem ao gol que decretou nosso revés, alijando-nos da final.

Perguntei a Amoroso se nossos laterais, em sua época, tais como Altair e Nonô, por exemplo, deixariam o jogador adversário cobrar o arremesso que seria nosso. Resposta rápida:

- Nunca!

Continuei incisivo, querendo saber se o combate no meio-campo seria com falta. A resposta, que eu imaginava, veio logo:

- Qualquer falta, era tudo o que o adversário queria. Bastaria cercar com determinação que a bola seria passada a outro jogador, não seria jogada na nossa área e o tempo correria...

Dessa vez, Celso indagou:

- Amoroso, e o Castilho?

A resposta foi clara:

- Salvou-nos inúmeras vezes. Nós, seus companheiros, o respeitávamos muito, e os adversários, mais ainda.

Emendei de primeira:

- E quando ele não jogava, o goleiro reserva sofria?

- Sim. Era um tiroteio danado, os adversários chutavam a toda hora. Se um time tem um bom goleiro, os oponentes vão pensar antes de chutar.

Com relação à sua saída do Fluminense, Amoroso diplomaticamente nos disse que já estava na hora. A última pergunta foi feita em conjunto, pois ambos queríamos saber qual era o maior prazer dele, quando jogava. Seus olhos brilharam:

- Era fazer gol nos "remadores da beira da Lagoa", e ainda vencer os jogos. De vez em quando, eu revejo alguns gols.

As aspas acima, são minhas. Nós o abraçamos afetuosamente, tiramos duas fotos, e dissemos:

- Amoroso, você é dos nossos!

 

TOQUE SUTIL: Artilheiro

Amoroso foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1964, com 19 gols. Bisou o feito no ano seguinte, com 10 gols. 

 

 

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