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Debate • Por Gustavo Albuquerque - Flupress • 18 mai 2017
O "e agora?" da vez (por Gustavo Albuquerque - Flupress)

Já em meados de maio é possível analisar com mais tranquilidade o que esperar do Fluminense em 2017. Passado o encantamento das primeiras partidas do ano, que mostraram o time envolvente, rápido e letal, temos um quadro bem diferente nesse início de brasileiro e oitavas de Copa do Brasil.

Sim, é possível que os demais clubes tenham “estudado” o modelo de jogo do Abel. Mas acho que parar a análise nessa afirmação não destrincha o que de fato está acontecendo. Para um time jovem como o nosso, desacreditado como o nosso, o fator surpresa será sempre de muita importância. São os atacantes na vertical, o meia desconhecido que sabe enfiar a bola, volantes com qualidade de passe e transição. Todos esses elementos proporcionaram grandes jogos do time até aqui. Mas agora, nesse período do ano, é a hora da onça beber água, de separar as promessas do que será real entre os grandes clubes brasileiros.

A rigor, em jogos de grande contra grande, oscilamos muito. Em minha opinião, apesar do saldo negativo, batemos de frente com o Flamengo nos quatro jogos do ano, atropelamos o (fraquíssimo time do Vasco por duas vezes) e fizemos partidas parelhas contra o Botafogo, que, convenhamos, está longe de ser um grande time. Contra o bom time do Santos, apesar de não termos jogado uma partida sensacional, fomos bem, num confronto equilibrado. E ontem, contra o Grêmio fora, não dá para dizer que não conseguimos equilibrar o jogo na maior parte do tempo. Perdemos – e nos distanciamos da classificação – mais pela fraqueza do elenco, do que pela proposta de jogo do Abel que, se corre riscos, também nos aproxima de vitórias.

Sobre o elenco, aliás, o jogo de ontem foi emblemático. Jogo para ser jogado na transição em velocidade. Que precisa necessariamente começar por um bom passe. Aí você vê o Pierre, brigador, concordo, mas com uma dificuldade enorme de acertar passes verticais de dois metros. A bola volta sempre pro nosso campo. E aí quando chega, nas poucas vezes que chega, para no pé do Marcos Junior, brigador, concordo, mas com a mesma dificuldade de sempre de dar sequencia às jogadas ofensivas. A bola chega e morre.

Falei dos dois reservas que entraram em substituição a Orejuela e Wellington Silva, jogadores melhores e que compõem a “conta do chá” que nos dá um bom time, que não pode perder peça alguma.

Assim foi também com o limitado Renato na direita. Times na conta do chá ficam sem opções. Ontem, a despeito das entradas do Scarpa (nitidamente fora de jogo) e Calazans (menos de dez minutos), a aposta do Abel para mudar o jogo foi o possante Maranhão. Assim como ocorreu no Fla x Flu e como ocorrerá eternamente, Maranhão não materializa apenas o desânimo do torcedor, é uma fina ironia escalada pelo Abel para evidenciar a falta de um elenco adequado.

A máxima “time ganha jogo, elenco ganha campeonato” está aí, piscando em neon para quem quiser ver.

A nós cabe a tranquilidade de saber que o Abel adora suas invenções e, como quase qualquer técnico do nosso futebol, não se incomoda nada, nada de morrer abraçado com elas.

Ainda assim – acreditem – a pior coisa que pode acontecer no Fluminense de hoje é a saída do nosso treinador. Se está ficando ruim com ele, sem ele, com o cenário de penúria das contas do clube, trariam um Péricles Chamusca qualquer e aí, meus amigos, aí seria o buraco.

Mas mesmo com o necessário - diria eu, vital - apoio ao Abel, já passou da hora de treinarmos variações de jogo. Abel é pago (ou deveria ser) para isso. É obrigação termos alternativas, não só de proposta de jogo, com um meio mais sólido, mas também algo que nos faça, eventualmente, ter uma maior consistência defensiva. Estão entrando pelo miolo da nossa defesa fazendo 1,2. Não podemos expor um Renato Chaves a isso. É chamar o gol. Tomamos dois assim ontem. Gols que podem nos eliminar no final dos 180 minutos.

Mas não tem nada perdido. O time titular do Fluminense pode meter 2x0 no Grêmio sem problema algum. Acho muito possível. Está em aberto.

O problema é que até o fim do ano a pergunta que faremos – depois de vitórias, derrotas e a famigerada janela de transferências – será a mesma: e agora, quanto mudaremos para a próxima partida?

Abraços tricolores

 

CURTAS

- Domingo reencontraremos o maior ídolo da torcida tricolor em anos. Será no campo adversário, contra um time que está, ao lado do Palmeiras, sobrando no campeonato. Jogo duríssimo. E ver o Fred com a camisa dos caras vai doer. E vai lembrar como Peter Siemsen e seus apoiadores nada conhecem do que é o verdadeiro Fluminense.

- Beto Sales, cronista do NETFLU, fez um texto imperdível, brilhante, em sua última coluna. O tema é recorrente na FLUPRESS e diz respeito à relação clube x torcedor. Leitura fundamental.

- Se é para passar vergonha todo ano, por que fazem tanta questão da Libertadores? Pega muito mal pro futebol brasileiro ter um time que sequer empata fora de casa. Acho que terão que internacionalizar o convênio com a arbitragem.

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Fábio Ribeiro - 18/05/2017 às 18h39
O Fluminense não tem um time sequer razoável. A Flusócio apequenou o Flu. Onde está aquela torcida combativa dos anos 90????
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