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Finanças • Texto e foto: Edgard Maciel de Sá - GloboEsporte.com • 11 ago 2017
Dinheiro de Richarlison, reforços e estádio próprio: novo diretor traça planos para o Flu

Marcus Vinícius Freire foi apresentado, na tarde desta sexta-feira, no CT Pedro Antonio, como novo diretor geral do Fluminense. Ao lado do presidente Pedro Abad, o ex-diretor esportivo do COB traçou os planos para o Tricolor.

O novo dirigente confirmou que o Watford, da Inglaterra, pagou a primeira parte da venda de Richarlison - o time carioca tem direito a R$ 23 milhões. Com o dinheiro, o clube das Laranjeiras começou a arrumar a casa.

- Estamos no caminho de solucionar a situação atual do Fluminense. Com a última venda, eu diria que essa semana ainda o presidente Abad vai anunciar investimentos no futebol. A preocupação é pagar os funcionários, folha de pagamento do time, direitos de imagem, Xerém, Samorin... Estamos usando parte do dinheiro do Richarlison - disse Marcus Vinícius.

Havia atraso nos direitos de imagem dos jogadores. Além da regularização, o Flu buscará reposição. Robinho, do Figueirense, é uma possibilidade. A coletiva, porém, tratou de outros temas, como o sonho da construção do estádio próprio:

- A viabilização do estádio próprio é uma das metas. Já fiz três reuniões em dez dias, com todas as entidades que precisamos tratar. Os detalhes ainda não posso passar, mas o presidente vai se pronunciar quando for possível.

 

Confira a íntegra da coletiva:

 

Oportunidade no Fluminense

É uma data especial, chegar ao Flu no dia 11 de agosto, 33 anos da medalha de prata em Los Angeles. Não tinha como recusar o convite do Fluminense. É um grande clube. Todos sabem que sou gaúcho, família meio colorada, meio gremista. Mudei para o Rio com seis anos e foi fácil mudar de tricolor. Foi o primeiro clube em que pisei.

 

Relação com Abad

Não conhecia o presidente. O clube contratou uma consultoria que veio com essa proposta profissional. Chegaram a algumas opções para a posição e fico feliz de ter sido o escolhido. Demoramos a concluir as negociações, no dia seguinte da proposta final eu viajei para a Europa. Precisei de 17 dias para responder (risos). Agradeço pela confiança. Desafio é gigante.

 

Peculariedades do Flu

Estou aprendendo como funciona o clube. Quando cheguei, a Roberta Fernandes me disse que cada ano no futebol vale por sete. Já percebi isso. Estou estudando, buscando informações. Quero aprender o mais rapidamente possível para ajudar o Fluminense. Cheguei na sexta e no sábado teve a tragédia com o filho do Abel. Na segunda teve a venda de um jogador, na quarta jogo... Foram dez dias intensos. Agradeço e espero contar com o apoio de vocês.

 

Trabalho com futebol

Logo que acabou a Olimpíada, a minha primeira viagem em novembro foi para Londres. Fui jurado em um prêmio. Tinha um congresso de futebol e aproveitei para me aprofundar. Tinha um fundo de fora que me queria como representante. Logo depois em janeiro fui estudar nos Estados Unidos, sobre economias exponenciais.

 

Convite tricolor

Achava que ia contribuir mais como conselheiro do que como executivo. Ai veio o convite que mexeu comigo. O diagnostico da consultoria mostrou que o clube não estava normal. Já trabalhei com essa consultoria. O clube está num caminho de profissionalização e ter exposição positiva. Tudo isso numa situação financeira difícil. Foi essa soma de fatores que me trouxe aqui.

 

Torcida tricolor

A paixão da torcida pelo clube é diferente no futebol. Ela é importante para nós. No Time Brasil era diferente, todos a favor. Aqui temos o a favor, o diferente. É mais que uma torcida. É uma das diferenças. Outro assunto é similar ao COB, a política interna. Já vivi coisas parecidas. O que estamos propondo é uma separação do dia a dia.

 

Forma de trabalho

Nossa proposta é que os vices e conselheiros sobem para um conselho, não para serem executivos do dia a dia. Eu me reporto diretamente ao presidente Abad. Vamos subir o organograma no site oficial. É exatamente como numa empresa. Vamos contratar um nome pesado para os Esportes Olímpicos. Devemos informar na segunda, um atleta olímpico com respaldo de gestão.

 

Laranjeiras

Vamos contratar um gerente geral para a sede das Laranjeiras. Vamos cuidar diferente do nosso sócio. Trouxemos um diretor financeiro, especialista em recuperação financeira. Já está ajudando. A Roberta continua como diretora jurídica. Criamos uma gerência de operação de jogos e arenas: operação do Maracanã, recuperação das Laranjeiras e o projeto do estádio próprio. Interesse nosso que a base jogue nas Laranjeiras. Para isso precisamos de dinheiro e parcerias para reformar e possibilitar jogos noturnos.

 

Comitês

Não participei de nada até a semana passada. A Ernest & Young trabalhou no COB, CBF, Fla e está no Flu. Acredito que os conceitos sejam os mesmos. Nossa proposta é trabalhar com divisão de responsabilidades dentro de comitês. O do futebol é formado por Veiga, Torres, Teixeira, Abel e Abad. Ai agora entra o CEO com a equipe que for necessária. Estamos de forma profissional dizendo se tem dinheiro, se o salário é alto, estamos protegendo o clube na hora de tomar decisões em comitê. Vale também para os esportes olímpicos. A ideia é que a sede e os esportes olímpicos sejam sustentáveis.

 

Maracanã

Governo do Estado vai abrir uma nova licitação para o Maracanã. Nos jogos importantes estamos tentando reduzir ao máximo as nossas despesas. Já aconteceu no último jogo. Saldo foi positivo no borderô, camarotes e alimentação. Estamos pensando futuramente num pacote para os próximos jogos, buscando não ter prejuízo.

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