HOME|NOTÍCIAS|Que jogo feio! (Blog do Savioli - O'Tricolor)
Artigos • Fonte: Blog do Savioli - O'Tricolor.com - Foto: Guga Gerchmann / Raw Image • 10 ago 2017
Que jogo feio! (Blog do Savioli - O'Tricolor)

Amigos, amigas, vamos tentar analisar o jogo sem melindres. O Fluminense apresentou um plano de jogo bastante claro no primeiro tempo, que se perdeu no segundo, mas sem comprometer parte do objetivo, que era evitar a derrota.

Abel colocou Henrique de volante, tinha Wendel e Orejuela um pouco mais à frente e o Fluminense jogou os primeiros 45 minutos controlando a Ponte Preta. O primeiro tempo foi tão tranquilo que criamos as duas melhores oportunidades de gol trabalhadas.

O Fluminense venceu o xadrez do primeiro tempo, mas não fez o gol, nem fez tanto assim por merecer. Já o segundo tempo, quando os dois times deixaram um pouco do receio de lado, foi uma pelada. O que antes era um xadrez tático se transformou em um festival de horrores, com a Ponte conseguindo ser menos pior e se aproximando do gol, sobretudo no curso das substituições feitas, que não vieram do nosso lado.

Quando Abel decidiu mudar, tirou os três homens de frente e tentou dar fôlego ao setor ofensivo, mas trocou Scarpa por Marcos Júnior, quando a melhor, ou menos pior, das opções seria Robert, para dar algum toque de inteligência. Ficarmos, ao contrário, menos inteligentes no meio, tentando apostar em algo que viesse da correria, o que nos fez mais frágeis e suscetíveis a levar o gol, pois nossas jogadas não tinham sequência.

Abel conseguiu fazer algo diferente dos últimos jogos, quando o Fluminense começa mal e depois vai ganhando alguns atributos ao longo do jogo. Dessa vez, o Fluminense começou melhor, controlando o jogo, com alto nível de inteligência tática, e foi se perdendo ao longo do segundo tempo.

Não importa a perspectiva que se trace, não é nada bom, pelo menos se pensarmos em algo melhor na temporada. Não estou falando de rebaixamento, não necessariamente, porque nosso elenco é muito melhor que os que vão sofrer lá embaixo. Estou falando do nível do futebol, totalmente sem referência tática e conceitual, que é praticado pelos times que estão abaixo do G-5.

Estou falando de times reativos, que não acreditam em sua proposta de jogo, que caíram na armadilha do bumba meu boi, chutão pra frente e marcação atrás da linha da bola sem agressividade. Pior que o Fluminense, tem Vasco, Chapecoense, Avaí e outros. Só que nós não podemos nos comparar com os de baixo. Nosso elenco é para nos compararmos com os de cima, logo o nosso futebol tem que ser de quem quer dominar, passar por cima.

Nós não podemos pensar em duas opções de jogo que se dividem entre três volantes e três atacantes sem passar pelo meio de campo. Sabem por quê? Porque são duas opções reativas. Eu já vi o Abel fazer muito melhor que isso, e nem estou falando em treinamento, porque isso a gente não tem no Brasil, e se o técnico poupa os titulares para treinar durante uma semana está arriscado a perder o cargo. Bem faz o Renato, no Grêmio, que já poupou titulares em pelo menos três jogos no Brasileiro e está na vice-liderança, com direito a quartas da Libertadores e semifinal da Copa do Brasil.

Vocês sabem por que o cara tem que poupar os jogadores? Não é porque eles ficam cansados de jogar duas vezes por semana. Eu já joguei futebol no sábado e no domingo, quase toda semana, durante meses consecutivos. O problema é que é esporte de alto rendimento, não é pelada. E se não tiver tempo para treinar, perde parte das valências táticas, técnicas e cognitivas.

Mas o nosso problema não é esse no curto prazo. Obtivemos cinco pontos em três jogos, dois deles fora, então fizemos o dever de casa. Ficamos a sete pontos da zona de rebaixamento e cumprimos bem a nossa missão. Não era isso que queríamos, mas foi o que nos impôs esse plantão médico interminável. Poderíamos estar bem melhor, mas eu já tinha dito aqui que até o final de agosto a nossa missão é ficar longe do Z-4. Depois a gente pensa no resto, no título da Sul-Americana, que podemos ganhar, e temos tudo para ganhar, e na parte de cima da tabela.

O que eu espero é que o Abel tenha consciência de que o que fizemos no jogo de ontem não vai nos servir para mais que aquilo que conquistamos que é a distância do Z-4. Se fizermos esse jogo contra o Santos, vamos levar uma lavada.

***

Amigas, amigos, o Palmeiras foi eliminado da Libertadores. O Atlético MG foi eliminado da Libertadores. O Flamengo foi eliminado da Libertadores na fase de classificação. Todos estão praticamente a passeio no Campeonato Brasileiro.

O problema não é o dinheiro, nem a falta nem a abundância. A abundância traz oportunidades, mas não resolve tudo. O problema é que falta um pouco mais de ciência nessa história.

O nosso mal é a falta de rigor no planejamento e na execução, que começa pelo calendário e passa pela formação de elenco. Falta lógica em tudo.

Eu não estou falando de fazer do futebol brasileiro uma espécie de laboratório, muito pelo contrário. Eu só quero um pouco de lógica. É só ver o São Paulo, que movimenta dinheiro que é uma maravilha, contrata feito gente grande, e não consegue montar um time.

Vamos valorizar o que está acontecendo no Fluminense. Pelo menos, nós temos lógica aqui. Dá para entender o início, o meio e o fim. Pena que tem as limitações, e elas são muitas, mas podemos vencê-las. Vamos para o estádio apoiar o time como se não houvesse amanhã, porque é assim que o amanhã vem. Não tem graça nenhuma futebol sem a torcida do Fluminense.

Aliás, se não fosse a torcida do Fluminense o futebol não teria razão de existir. É só lembrar daquele espetáculo na final do Campeonato Estadual, quando nem a Globo resistiu e mostrou nossa torcida durante noventa minutos.

Vamos exigir lógica. Eu sei que tem muita gente que torce o nariz por causa da minha defesa apaixonada do Cristóvão Borges, mas o Cristóvão falou uma coisa que não sai da minha cabeça e que eu vi naquele Fluminense x Itália em 2014, com todos os erros que o Cristóvão cometeu naquele jogo. Ele disse que temos que usar as metodologias europeias para potencializar as nossas características, que nos colocam muito à frente dos adversários.

É assunto muito complexo para tratar em uma coluna, mas o Fluminense deu um passeio na Itália e perdeu de 5 a 3. Semanas depois, o Brasil jogou um esporte estranho e levou de 7 a 1 da Alemanha.

A gente precisa tentar entender essa equação. Não tem mais técnico no Brasil que não conheça os métodos de treinamento utilizados pelos europeus. Eles simplesmente não têm tempo para aplicar e contextualizar, porque a nossa pré-temporada dura quinze dias. É uma piada mórbida.

Em que país do mundo um clube disputa cinco competições numa só temporada?

Saudações Tricolores!

Compartilhe
  • Googlemais
comente
©2017 OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE
Os Woden