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Debate • Globoesporte.com • 12 set 2017
Médico estima chance de cura em 90%, e Douglas resume: ''Tive medo de não voltar''

Uma das grandes promessas recentes do Fluminense, Douglas se viu diante do desconhecido. Com apenas 20 anos, ele sofria com dores nas articulações depois dos jogos. Fruto do esforço natural de um jogador de futebol e de uma síndrome: a atrite reativa. Foram moram mais de três meses de luta e recuperação para voltar a jogar futebol.

Depois de vencer a batalha, o volante voltou a vestir a camisa do Fluminense no empate por 2 a 2 com o Vitória, domingo, em Salvador. Nesta terça-feira, ele falou pela primeira vez sobre o sofrimento e o tratamento. Ao lado do coordenador médico Douglas Santos, relatou os dias de dificuldades vividos de maio até agora. E agradeceu ao xará que, segundo ele, salvou a sua vida.

- Tive medo de não voltar a jogar. Tinha noite que eu não conseguia dormir. Sentia muita dor e não conseguia andar no dia seguinte. Já cheguei no médico de cadeira de rodas. A vida não ganhou de mim, eu ganhei dela - frisou.

O receio de não voltar a jogar era o que mais preocupava Douglas. O ápice da crise foi depois da partida contra o Vasco, no fim de maio. A dor era tanta que o volante não conseguia andar sozinho após os jogos, apenas usando cadeira de rodas.

- Tenho muita fé, ainda mais em Nossa Senhora Aparecida. O que eu passei não quero que ninguém passe, foi muito difícil. Achava que não ia voltar a jogar bola. Mas meu pai, minha mãe, o departamento médico do Flu... Todos me ajudaram muito. O doutor Douglas me salvou. O Abel já me colocou de titular logo no meu retorno. Só tenho a agradecer - analisou.

Autorização para tomar os medicamentos

Segundo o coordenador médico do Flu, ainda é cedo para falar em cura definitiva. Mas Douglas já vinha treinando e participando de jogos-treinos sem nada sentir há pelo menos dois meses. Pelos exames recentes e pela evolução, é muito provável que Douglas nunca mais passe pelo problema.

- Artrite não é uma doença, é um sintoma. Existe um tempo necessário para o tratamento, mas ele tem chances de ficar curado. Tem a ver com a atividade que ele desempenha. Se ele não fosse jogador, não teria nada. Até agora foi muito bem controlado. Ele só fez um jogo, é precoce falar em algo definitivo, mas pelos exames a chance dele não ter mais nada é de 90% - explicou o médico.

Liberado para participar de qualquer jogo do Flu, Douglas segue o tratamento. Os medicamentos necessários contém substânciasa proibidas, mas o clube fez a solicitação necessária à comissão antidoping competente. É um procedimento normal, segundo o departamento médico.

- Temos que deixar claro: as substâncias são proibidas para uso de atletas. Mas desde que comprove que o jogador precisa, a comissão antidoping libera. Em primeiro caso vem a saúde. É só fazer a solicitação e comprovar. É um procedimento normal, até em problemas dermatológicos - explicou Douglas Santos.

CONFIRA MAIS RESPOSTAS DA ENTREVISTA:

ARTRITE REATIVA

Douglas Santos: - Ele teve um problema que começou no ano passado, uma artrite bem difícil de acontecer no futebol. Não achei nada desse tipo no futebol. É uma artrite específica de esforço. Tivemos todos os cuidados sob algo que poderia evoluir para algo muito difícil de ser tratado. Graças à dedicação dele e ao tratamento conseguimos controlar isso. Os exames estão normais.

DORES

Douglas: - Era uma coisa que eu não entendia, mas Deus acima de tudo me ajudou. Meus pais, os médicos, e eu mesmo pela dedicação. Tive medo de não voltar a jogar. No outro dia não conseguia andar, muita dor principalmente no púbis.

DIAGNÓSTICO

Douglsa Santos: - É uma síndrome. Existe uma enzima que é medida e é a suspeita desse problema. Chegamos ao diagnóstico por exclusão. É o primeiro caso que vejo em jogador de futebol. Olhar para ele no dia seguinte do jogo dava pena. Inchava as articulações, ficava vermelho, não conseguia andar... Já era para ele estar jogando, mas seguramos um pouco. A evolução é muito boa.

TEMPO FORA

Douglas: - Os três meses sem jogar foram difíceis. Alguns jogos eu nem queria ver. Queria estar ali dentro ajudando. Agora sou um novo Douglas, um homem de Deus que está curado. Todos os jogadores são importantes. Wendel, Marlon, Sornoza... Pena que não podem jogar todos.

PARTIDA CONTRA O CRICIÚMA

Douglas: - Aquele jogo contra o Criciúma eu fui guerreiro. Estava com dor no dia anterior, com olho vermelho. Joguei e fiz um gol.

CURA DEFINITIVA

Douglas Santos: - A dengue é um tipo de artitre. São várias doenças que causam isso. No caso do Douglas, foi uma síndrome reativa. É precoce falar em cura definitiva. O pior período foi depois do jogo do Vasco, em maio. É um precoce, mas com boa margem de segurança. São dois meses treinando e jogando partidas amistosas. Antes ele não conseguia fazer nada. Foi um guerreiro.

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