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Debate • Fonte: Blog do Savioli - O'Tricolor.com - Foto: Lucas Merçon - Fluminense F.C. • 10 nov 2017
Bem-vindos a 2018 (Blog do Savioli - O'Tricolor)

Foi uma noite de quarta-feira bastante curiosa e sintomática. Revivendo a trama, tenho que admitir uma razoável dose de comicidade no enredo.

Mal o relógio passava das 21h, minhas atenções se voltavam para Recife, embora a televisão estivesse em outro jogo. Era hora de secar o Botafogo. Foi eu pensar nisso e aparece a famigerada bolinha. Gol do Botafogo. Não deu tempo de assimilar e... Outro gol do Botafogo.

A torcida para o Sport estava relacionada à minha ilusão de que o Fluminense ainda poderia brigar por uma vaga no G-7. Com a vitória, o Botafogo rumava para os longínquos 51 pontos.

Como o pouco que vi do jogo não me fez vislumbrar qualquer possibilidade de uma reação pernambucana, me pus a rodar de canal em canal, assistindo trechos de vários jogos. Ainda tinha a esperança de que o Flamengo tropeçasse diante do Cruzeiro, mas quem tropeçou foi a esperança. Flamengo 1 a 0.

Lá para as tantas, me concentrei no jogo do Flamengo. Um empate já ajudaria bastante. O Flamengo ficaria em sétimo, com 48 pontos, três à frente do Fluminense em caso de vitória sobre o Coritiba. Só que lá pelas tantas, com o Cruzeiro muito distante e desinteressado, o Flamengo marcou o segundo.

A essa altura, a esperança migrava para o G-8. Vai que o Grêmio ganhe a Libertadores... Com o Vasco perdendo para o Santos, era só ganhar do Coritiba para empatarmos em pontos com o time do cinto de segurança. Não terminei esse raciocínio e... Gol do Vasco. Mal dá tempo de piscar e... Outro gol do Vasco.

Lá ia o Vasco para os 48 pontos, com 13 vitórias, a ficar, na melhor das hipóteses, a duas rodadas de vantagem, já que tem três vitórias a mais que nós.

Viria, então, a noite de quinta-feira para mostrar o quão inútil e equivocada era a minha torcida. Se o Sport vence o Botafogo, estaria agora com 39 pontos, a quatro da gente. O Vitória abriria a zona de rebaixamento, com 38 pontos, cinco a menos. Não estaríamos tão confortáveis como estamos agora, a sete pontos do Sport e sete de Ponte Preta e Avaí.

Amigas, amigos, nem rebaixamento, nem Libertadores. Não é uma questão de fazer contas, é senso de realidade. Não adianta a gente fazer quinhentas contas e ver em campo um time todo desorganizado, sujeito a oscilações de humor durante a partida.

O Fluminense tinha encontrado um núcleo de criação em Richard, Douglas, Sornoza e Marcos Júnior, forças complementares, que levaram o time pra frente na partida contra o Botafogo. Ontem, parecia que seria a mesma coisa. Marcos Júnior marcou em impedimento e Douglas quase marcou da entrada da área. E ficou nisso.

Não vou me alongar muito falando desse jogo, exceto que o primeiro tempo foi sofrível e a virada caiu no nosso colo por acaso. O Fluminense sequer jogava melhor que o Coritiba quando vieram os gols. Não achei que o Norton tenha jogado mal, mas gostei da entrada do Wendel no intervalo. O problema é que nem a sorte ajuda o Abel. Lucas foi se machucar e o Norton fora substituído. Vamos de Matheus Alessandro na lateral-direita.

Talvez essa seja a primeira ideia de Abel para 2018: Norton e Matheus Alessandro in, Lucas e Renato off. Eu não sei se eu rio, se eu choro ou se tento as duas coisas ao mesmo tempo. Com Norton, tudo bem. Matheus Alessandro, pelas barbas do profeta, é atacante.

Eu tentaria renovar com Lucas e colocaria para disputar vaga com o Norton. Pensaria no Breno como terceira opção.

Enfim... Domingo temos o Cruzeiro pela frente, sem Dourado e sem Sornoza. Ótimo! Se estamos pensando em 2018, que tal, Abel, colocar Luquinhas ou Robert para atuar desde o início na função do Sornoza? Que tal cada um jogando um tempo? Que tal experimentar o Peu no comando de ataque para tentar dar uma nova dinâmica a essa equipe?

O problema é falar em "Abel experimentar". Eu recomendo, para quem não leu ainda, o artigo "O treino, o jogo e a responsabilidade de Abel Braga", do Rodrigo Jacopo. Consegue expressar melhor que todas as minhas tentativas as deficiências do trabalho da comissão técnica. Justifica por que eu defendo tanto os zagueiros do Fluminense, sempre expostos devido à falta de organização tática e treino adequado.

A gente pode até pensar 2018 com o Abel, que tem tido razoável assertibilidade na formação de elenco. Nesse caso, porém, deveremos passar 2018 pensando em 2019, quando - quem sabe? - talvez tenhamos poder de fogo para investir no elenco.

Se quisermos pensar num trabalho de longo prazo, construir um conceito de jogo para os próximos anos, a partir do bom elenco que temos nas mãos, precisaremos reformular já a comissão técnica. Até mesmo se quisermos almejar algo em 2018, precisaremos mudar.

***

Sobre atraso de salário, finanças e assuntos congêneres, devo repetir aqui que a abordagem deve ser técnica e gerencial, não política. Logo, não cabe esse enfadonho debate político que vemos nas mídias sociais. Isso não tem serventia para nada, porque a próxima eleição é só no final de 2019 e nós estamos no final de 2017.

Acho que isso é um reflexo do que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos. Politiza-se tudo ao extremo. Tudo, menos as pessoas.

Acho que os críticos da atual gestão, que a criticam por causa da gestão passada, colocando, deliberadamente, tudo no mesmo saco, embora critiquem na atual tudo em que é oposta à anterior, deveriam estar a nos brindar com um debate sobre os desafios a serem superados e caminhos a serem seguidos para que o Fluminense possa se inserir de forma vitoriosa no cenário futebolístico nacional e internacional nos próximos anos.

A última novidade é criticar o investimento nos esportes olímpicos. É o tipo de crítica absolutamente sem fundamento, a partir do momento em que o os esportes olímpicos estão se transformando em uma unidade de negócio, o que significa que terá que gerar suas próprias receitas para pagar seus custos, de forma totalmente independente do futebol.

Eu acho que o primeiro passo para começarmos a pensar 2018 é fazermos uma reflexão, principalmente nós, que somos formadores de opinião, acerca de em que temos contribuído para melhorar ou piorar o Fluminense. A postura crítica da imprensa é essencial para o aperfeiçoamento das instituições. Só não podemos cair na tentação de usar valores como liberdade de expressão e de imprensa para impor às pessoas uma agenda de mentiras, insinuações, meias verdades, distorções e manipulação, como vem acontecendo com o noticiário político e econômico nos últimos anos no Brasil.

Temos uma luta pesada pela frente. Ou nos unimos e jogamos limpo, ou o Flu que conhecemos desaparecerá.

Saudações Tricolores!

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