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Debate • Fonte: Blog do Savioli - O'Tricolor.com • 05 dez 2017
Um ano quase perdido no futebol (Blog do Savioli - O'Tricolor)

Amigos, amigas, por mais que as finanças, o marketing, a economia, a política e até a comunicação não possam ficar de fora de uma análise do desempenho futebolístico do Fluminense em 2017, vou tentar deixar essas outras questões de lado e tratar exclusivamente dos aspectos gerenciais e técnicos do futebol.

Vou tentar ser objetivo e ilustrar minhas ideias para não levar o leitor ao desespero com mais um artigo interminável.

Vamos falar de problemas e soluções. Vamos fazer isso por partes:

 

1 - A gestão do futebol não foi boa

Urge que a estrutura do futebol seja redesenhada, de modo a dar mais clareza e transparência ao departamento. Nós precisamos de um gestor que seja responsável pelo planejamento global do futebol e apoio à execução. Pode chamar de superintendência, coordenadoria, o diabo que quiser, contanto que seja um cara capaz de planejar e controlar todo o futebol do Fluminense. Acho, até, que pode ser o Marcelo Teixeira, que já mostrou habilidade nas duas frentes: planejamento e coordenação.

Abaixo desse superintendente tem que haver um diretor técnico para o futebol profissional e outro para a base. Esses três profissionais precisam trabalhar integrados e as duas áreas precisam dialogar. O trabalho de base tem que ser orientado para o futebol profissional.

Reparem que o América MG, campeão da Série B, tem como diretor técnico o Ricardo Drubscky, que entende horrores de futebol. É isso que nós temos que exigir do presidente do Fluminense imediatamente. Alguém tem que responder pela execução técnica desse planejamento e não é o treinador, porque treinador, preparador físico, fisiologista, nutricionista etc., são peças da engrenagem. Tem que ter um cara que saiba o que vai cobrar do treinador. Nós precisamos desse profissional imediatamente, para ontem, para o mês passado. É o Torres? Então nós temos um grave problema, porque se é o Torres já era para ele estar dando a décima entrevista só hoje respondendo pela performance da equipe no ano.

Isso é fundamental, inclusive, para dar mais transparência às decisões. Que é para a gente não ficar aqui achando que o clube caminha para a profissionalização, mas o futebol se profissionaliza mais ou menos.

 

2 - O trabalho de Abel foi ruim

Sobre o trabalho do Abel, eu venho falando desde o início do ano. A mim, a total falta de continuidade nos projetos táticos parece estar ligada à ausência do diretor executivo.

Meu querido, como é que você vai jogar no esquema "X" se não tem peças suficientes para recompor ou se as peças são ruins. Pior que isso, emprestando as peças substitutas.

Mas eu não vou ficar esticando esse assunto, nem me repetindo. Acho que pela história do Abel no Fluminense e pela sacanagem que fizeram com ele em 2013, merece uma chance, até pelo gravíssimo problema pessoal por que passou, que eu tenho certeza que afetou seu desempenho. Não estou falando da vontade, mas do desempenho. Acho que todos nós já nos deparamos com o desafio de trabalhar com o coração em frangalhos e nós sabemos como atrapalha.

Eu tenho plena convicção de que o Abel está louco para fazer um grande trabalho no Fluminense. Agora, vai ter que procurar caminhos. É perigosíssimo para o clube se nosso elenco passar mais um ano jogando esse esporte estranho que nós andamos praticando. Isso é treino. Qualquer analista de futebol que saiba como são feitas as coisas vai dizer isso. Se não sabe fazer, se não tem um auxiliar que faça, contrata alguém. Não pode é ficar desse jeito.

Só que tem que trabalhar com plano de metas.

 

3 - O ano quase perdido

Eu digo que o ano foi quase perdido porque, por incrível que pareça, nós conseguimos evoluir no desenho do elenco. Embora alguns ainda pertençam ao clube, a área técnica se livrou de quase todas as malas sem alça que estavam lá. Pelo elenco que terminou o ano, não vejo nenhum jogador do qual tenhamos que nos livrar por questão técnica. O único que realmente me assusta é o Leo, que era uma Ferrari no Sub-20 e vem se portando como um calhambeque. Talvez, um novo empréstimo seja a saída.

O grande problema é que nós terminamos o ano sem ter uma ideia minimamente clara do potencial do nosso elenco. É verdade que tivemos as lesões, mas isso só reforça o problema, porque a cada lesão mudava o esquema tático. Então faltou planejamento e isso não pode acontecer mais.

Que o Fluminense não ganhe nada em 2018, mas que a gente possa ter um time pelo qual valha a pena torcer. Que você olhe o time e pense "olha, não ganhamos nada, mas o time está jogando redondo e esse elenco com duas ou três contratações vai nos dar alegrias ano que vem". Isso é o mínimo que podemos esperar e não vai acontecer se insistirmos nos mesmos meios.

Quais as variáveis que nós temos?

Gestão do departamento, elenco, comando técnico e direcionamento.

Se não funcionou, você tem que mudar uma ou duas dessas variáveis. Se não mudar, vai continuar não funcionando.

***

Eu falei que não ia escrever um testamento, mas já assimilei que não vou conseguir cumprir a promessa. Conforme a gente vai entrando pelo tema, ele mostra que não existe a possibilidade de síntese que a gente esperava.

No outro dia eu vi o Dedé, do Globoesporte.com, falando de variações de 3-4-3 ou 3-5-2, como queiram. A minha visão é de que o Fluminense deveria se estruturar sobre duas variações táticas totalmente fora dos paradigmas atuais: 3-1-4-2 (4-4-2 defensivo) e 3-2-4-1 (4-5-1 defensivo).

Sabem o que me chamou atenção no jogo de domingo? O partidaço do Scarpa depois que o Sornoza saiu e ele foi para o meio de campo. Vocês já imaginaram esses dois fazendo o meio de campo girar por dentro, tendo Calazans e Alessandro pelas alas, com Douglas e Wendel encostando por trás nessa linha e o Richard, ou Luiz Fernando, fazendo um terceiro zagueiro, ajudando na saída de bola? Como é que o adversário faz para parar esse time?

Eu vou aprofundar esse tema na próxima coluna e imagino que o mesmo vá fazer o Dedé, já que parece ter a mesma visão.

***

Eu acho que o presidente Pedro Abad não deve demorar a vir a público para explicar a quais sanções estão sujeitos ele e o Fluminense, sanções essas às quais se referiu na carta deliberadamente vazada para isentar seus colaboradores de participação.

Por conta disso, nós ficamos aqui sujeitos a especulações, com gente espalhando por aí que o presidente do Fluminense cometeu um ilícito. O único ilícito que nós conseguimos ponderar até agora é quanto ao clube ter registrado a operação de compra dos ingressos no valor de meia entrada, sem que houvesse comprovantes. Nem poderia haver, porque o Fluminense vendeu os ingressos para o próprio Fluminense. Não sei se isso houve de fato e, se houve, se pode ser caracterizado como um ilícito fiscal, já que não houve uma operação comercial de fato, mas uma movimentação contábil.

Quanto ao tal TAC, que eu vejo um monte de gente falando, o único que eu consegui encontrar, que eu nem sei se os clubes assinaram, é do STJD, de 2016, que prevê, em caso de descumprimento do acordo, sanções administrativas ao clube. Mas não tem crime nenhum. Os caras estão falando de impeachment. Só me faltava agora a versão tricolor da pedalada. Ainda que exista um TAC assinado com o Ministério Público - eu não estou duvidando da existência, só estou dizendo que não encontrei -, nós estamos falando de descumprimento de um compromisso e não de um crime. Até porque não há no código penal, que eu saiba, qualquer artigo que diga que uma instituição privada não pode conceder cortesias para eventos organizados e financiados por ela.

Então, gente, isso é balela. Assim como é balela essa história de que o Fluminense deu ingresso a torcedores banidos. Não tem torcida do Fluminense nenhuma banida.

Sabem aquela música do Caetano "Dom de iludir"? Tem um trecho que diz:

"Você diz a verdade

A verdade é o seu dom de iludir".

Às vezes a gente consegue mentir dizendo a verdade. É só alterar a expressão do rosto, dar gravidade ou tom de ironia à voz, tirar a verdade do contexto, ou coisas assim, que você mente falando a verdade.

Eu já vi veículo da Flapress dizendo que o fato de o presidente do Fluminense ter disponibilizado dois ônibus para as torcidas irem para Minas reforça as suspeitas de algo muito grave.

Isso é leviandade até o último fio de cabelo. Qual é a suspeita, cara pálida? Isso é manipulação. Tem que dizer qual é a suspeita. Isso não é jornalismo.

Aí o cara lê e pensa: "pô, o Abad é ladrão, levou algum nessa transação aí de cambista e aluguel de ônibus".

Amigos, amigas, vocês já pararam para pensar quanta gente para dividir esse dinheiro? Tem os cambistas, os atravessadores, os assessores e o presidente. Alguém com o mínimo de juízo na cabeça pode acreditar que um cara que tem uma carreira na Receita Federal vai se sujar por causa de uma mixaria?

Por que, então, ele cedeu?

Eu não sei responder a isso. Ou ele achou realmente que isso iria ajudar o clube, como ele disse, ou tem coisa que a gente não sabe. Mas eu acho que é muito juízo para pouco valor. Tudo é polêmica quando a abordagem é política.

Agora, eu acho muito legal que nós, torcedores, não só do Fluminense, mas de todos os clubes, observemos nos próximos jogos a ação de cambistas no entorno do estádio, fotografemos e mandemos para o Ministério Público. Porque tem cambista no Maracanã desde quando Elvis Presley ainda era vivo. Se estão tão empenhados em acabar com essa prática, a gente ajuda.

***

Só para encerrar, eu tenho que pedir desculpas pelo linguajar chulo usado no último artigo. Só que a gente tem que dar soco na mesa, pendurar uma melancia no pescoço e se fingir de maluco para chamar atenção das pessoas para a mensagem que a gente quer entregar.

Eu não quero dividir a torcida do Fluminense. Aliás, quem me conhece de Maracanã da década passada sabe muito bem que é o contrário. É como se fosse minha segunda família, e ninguém quer ver a família dividida. Mas se é para ir unido para o precipício, eu tenho o maior prazer em ajudar a dividir. Com meia dúzia de três ou quatro conscientes pode se salvar uma nação.

Na quinta eu falo só de elenco, esquema tático, planejamento para 2018 e afins. Até lá, quem sabe não tenhamos alguma notícia para alimentar a análise?

Saudações Tricolores e Todo Poder ao Pó-de-Arroz!

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