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Artigos • Fonte: Blog do Savioli - O'Tricolor.com • 11 jan 2018
Scarpa precisa urgentemente pedir desculpas ao Flu (Blog do Savioli - O'Tricolor)

Amigos, amigas, eu não vou discutir aqui se é ou não obrigação de um contratante pagar o combinado ao contratado. Isso já não é nem questão de honestidade ou ética. É compromisso assumido, há contrato, há lei e ponto final.

O Fluminense tem obrigação de pagar por aquilo que contratou e não adianta colocar a culpa na gestão passada, como faziam com o Horcades, com pouca atenção à conjuntura, porque o compromisso é do Fluminense Football Club. Dizia isso naquela época e continuo dizendo agora.

Nós, analistas e torcedores, podemos atribuir à gestão passada todas as culpas que julgarmos justas, assim como também reconhecer os méritos, mas Abad e os entes políticos que participaram dessa bagunça devem explicações à torcida do Fluminense e não desculpas.

Não estou aqui querendo assinar embaixo da campanha da turma do gargarejo que quer fazer o torcedor acreditar que essa gestão é a continuidade daquela. Isso é uma meia verdade com intuito de iludir. Você tem grupos políticos e um presidente que fez parte do Conselho Fiscal, mas você tem outros grupos políticos que eram de oposição e um modelo de gestão que se contrapõe radicalmente ao que se fazia na gestão passada.

É preciso saber separar as coisas corretamente para que haja esclarecimento e não confusão, como tenho visto torcedores se queixando nas redes sociais de que não estão entendendo bulhufas do que acontece no Fluminense. Esse parece ser o objetivo. A causa, na minha visão, já que não podemos imaginar um golpe de estado à moda Bananópolis no Fluminense, é o medo de que dê certo. Aliás, há um esforço admirável no sentido de esconder o que já está dando certo no clube.

Voltando ao Scarpa, agora também conhecido como "Escapa", reconhecer que o Fluminense tem obrigação de honrar seus compromissos não justifica em hipótese alguma a sua atitude.

O direito, por mais humano que seja, não é capaz de refletir todos os aspectos éticos envolvidos em uma relação. A lei diz que o atleta, em caso de atraso de proventos superior a três meses, pode pedir na Justiça o desligamento do clube. O que a lei não diz é que antes de tudo estamos falando de uma relação de confiança entre duas partes. Além disso, relações comerciais devem ser, também, pautadas pela ética.

Todos sabem, inclusive os que mentem sobre o tema, que o Fluminense vem fazendo manobras radicais, e até arriscadas, com o intuito de equilibrar suas finanças, oxigenar seu fluxo de caixa e estruturar um planejamento financeiro que garanta que, doravante, o clube não mais atrasará seus compromissos.

Todos sabem que a atual gestão herdou uma condição completamente absurda, que só de pensar a minha pressão arterial entra em estado mórbido. É porque é absolutamente inacreditável que se faça isso com um clube, que foi deixado todo engatilhado para ser obrigado a viver da venda de seus ativos, sem ter condições sequer de repor, porque para tapar um buraco de R$ 70 milhões num orçamento é complicado até para o Fluminense.

É nessa hora que a gente tem que separar os bois. A gestão atual, em um ano, transformou uma previsão de déficit de R$ 70 milhões, em 2017, em previsão de superávit de R$ 10 milhões, em 2018. É um feito admirável, que nada tem a ver com colocar as finanças acima do futebol. Tem a ver com a sobrevivência do clube e do próprio futebol. Quem diz diferente disso está só querendo confundir as pessoas.

Culpem a quem quiserem culpar. Eu assino embaixo. Com ressalvas, claro, porque em tudo há exagero quando o objetivo é destruir. Só não confundam o torcedor. A solução de problema algum está em apontar culpados, mas em encontrar soluções e a atual gestão vem procurando soluções, que nada mais são que a reprodução daquilo que fizeram os clubes que hoje são os mais ricos e bem estruturados do mundo. Como é que eu posso não ver com grave desconfiança quem se opõe a isso?

O Gustavo Scarpa sabe de tudo isso. Foi bem tratado pelo clube, teve um aumento de salário quando estava com uma lesão grave no pé, que poderia gerar, inclusive, deficiências funcionais crônicas e abreviar sua carreira. Eu vivi isso, cobri e sofri junto, tanto por ele como pelo clube. Assim como vivi o drama do Douglas, torcendo por ele, como tantos outros tricolores.

Eu não quero falar de ingratidão, porque na hierarquia dos fatores que desonram esse rapaz e atentam contra sua reputação, a ingratidão não está no topo. O que está no topo é a falta de ética, é tentar tirar proveito da situação de dificuldade para subtrair valores a outrem.

O Scarpa e qualquer trabalhador ou contratado tem todo direito de reivindicar na Justiça aquilo que lhe é devido, mas é preciso que esteja claro que não há interesse do devedor em pagar. Só que todos sabemos que não era essa a situação. Quem lê o O´Tricolor.com sabe desde julho do ano passado que o Fluminense dependia da venda de Wendel para fechar o ano de 2017 sem dívidas com os atletas. É impossível que o cara, lá dentro do clube, não soubesse disso.

Então, Scarpa e seus representantes agiram de má fé. Tal conduta desonra profundamente esse rapaz e eu tenho certeza que tudo isso deve estar pesando em sua consciência. E vai continuar pesando, independentemente do que aconteça. A melhor coisa que Scarpa tem a fazer é vir a público e pedir perdão ao Fluminense Football Club por seus atos. Não há desonra que sobreviva ao arrependimento sincero e à retomada do caminho correto.

Só que tem um detalhe em toda essa história que vem me incomodando. Aliás, eu peço sinceras desculpas aos leitores, porque já deve ter duas semanas que eu não escrevo aqui no blog, simplesmente porque quando eu termino de escrever um artigo alguma coisa nova já aconteceu. Tudo está muito confuso e eu tenho muito receio de ser leviano e dizer coisas das quais vá me arrepender.

Alguma coisa aconteceu com Scarpa que nós não sabemos. Nada há, visível à luz do dia, que justifique tamanha aversão ao Fluminense, ao ponto do sujeito abrir mão da própria integridade e honra para não só se livrar do contrato, mas causar prejuízos ao clube. Devemos, inclusive, estar falando do mesmo fato que levou o Fluminense a aceitar abrir conversas com outros clubes brasileiros e até acertar com um deles um péssimo negócio.

Não há, do ponto de vista técnico, econômico, financeiro ou de marketing nada que justifique o Fluminense abrir mão de Scarpa. O óbvio em toda essa história é que Scarpa tem tudo para se tornar um ativo cobiçado no mercado internacional. Se não fosse a grave lesão no pé, provavelmente teria sido comprado no meio do ano por uma fortuna. Se jogar o primeiro semestre no Fluminense, será comprado por uma fortuna na próxima janela, ganhando ele, o Fluminense e até seus gananciosos empresários.

É inaceitável o Fluminense pensar na hipótese de fazer essas trocas por jogadores que não conseguiram se firmar ou estão em baixa em grandes clubes. Ou você vende pela multa ou troca por empréstimo por outro top de linha. Só que outro top de linha vai custar uma fortuna em salários. É melhor aumentar o salário do Scarpa e deixar ele aqui. Se não for vendido, que fique para dar retorno técnico, para ser campeão, porque não está distante o dia em que o Fluminense voltará a levantar taças. Se alguém duvida disso, é só dar uma passada pela história deste clube gigantesco.

Só para tentar ajudar o torcedor a entender a atual situação, com a venda do Wendel o Fluminense assume uma situação bem mais confortável com relação às finanças de curto prazo. Com os atletas que estão saindo, mesmo que os indenize, o Fluminense deve conseguir alinhar as despesas com as receitas, pelo menos esse ano. Não sei como fica isso para 2019, mas mesmo lá não devemos passar aperto.

Isso quer dizer que o Fluminense não precisa negociar Dourado e Scarpa. Deixar Dourado sair só se justifica se ele quiser ir e o Corinthians pagar a multa, que nem é tanto dinheiro assim. Se sair, sobra dinheiro para o Fluminense se reforçar. No caso de Scarpa, acho que a situação é a mesma. Não acredito que vá ser vitorioso na ação movida no TRT e ainda vai ficar parado um tempão sem necessidade alguma. Um pedido sincero de desculpas, que eu acredito que serão, e a reintegração imediata é a melhor solução para as partes.

Amigos, amigas, desculpem ter reescrito a Bíblia Sagrada. Estou escrevendo esse artigo na noite de quarta para publicar na manhã de quinta. Não sei se ele vinga ou se desatualiza no curso da madrugada.

Só que eu acho que esse é mais atemporal.

O que eu quero dizer a todos é que não comprem essas pílulas suicidas, essa amargura que tentam vender quando se trata de Fluminense. Há quem realmente acredite no que está dizendo, mas grande parte dos reprodutores da propaganda destrutiva e mal intencionada apenas estão refletindo a própria amargura política e nem se dão conta, ou não se importam mesmo, que o atingido é o Fluminense.

***

Sobre o meu apoio pessoal à gestão Pedro Abad, vale esclarecer que é preciso, antes de tudo, que a coerência deve estar acima da conveniência e abaixo da razão.

Eu estaria sendo totalmente incoerente se fizesse o contrário. A gestão Abad vem fazendo aquilo que eu prego há anos e no mínimo 80% do que vem sendo feito era o programa de quase todos as candidaturas envolvidas no processo eleitoral de 2016, inclusive a de Mário Bittencourt e Ricardo Tenório, segunda colocada no pleito, o que me deixou bastante esperançoso.

Eu, como tricolor, não me sinto enganado nem traído, pois nunca acreditei, e nem poderia, nas propostas megalomaníacas feitas por todos os candidatos. Boa parte do que eu sempre acreditei vem sendo entregue pela atual gestão e eu tenho deixado claro aqui todas as minhas discordâncias, sempre no sentido de colaborar e não de fazer críticas vazias ou atingir reputações.

Não tenho qualquer vínculo com grupos políticos, embora respeite a todos, assim como sei que o Fluminense é uma instituição política e é preciso que pessoas optem por esse caminho para que a engrenagem funcione, inclusive fazendo oposição. O que cobro da oposição, como de quem está na situação, é responsabilidade com o clube, um direito meu, não como jornalista, mas como torcedor.

O O´Tricolor.com, enquanto projeto, foi minha prioridade, e eu tenho minhas razões para ter tolerado as despesas e as dores de cabeça por quase cinco anos.

Não, o O´Tricolor.com não vai acabar, mas os mais atentos devem ter percebido que desde o início de 2017 a nossa cobertura vem perdendo corpo. A razão é simples. Não é possível ter como prioridade de vida algo que demanda tempo e só gera despesas.

Dentro da medida do possível, vamos continuar levando informação e fomentando o amor ao Fluminense Football Club, mas dentro das limitações impostas pela conjuntura. O que deve ser definido nos próximos dias é que o site se desvincule da iniciativa empresarial e ganhe uma nova condição. Essa nova condição é o que será definido, mas, certamente, a luta por um Fluminense gigante e vencedor, assim como o jornalismo responsável e engajado, estarão entre os valores a serem preservados. Serão eternos e inegociáveis, como sempre foram.

Há coisas mais importantes do que dinheiro na vida e elas não são poucas, embora eu saiba que sobreviver é preciso.

Saudações Tricolores!

 

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Luiz Guilherme Siqueira - 15/01/2018 às 08h44
"Boa parte do que eu sempre acreditei vem sendo entregue". Faltou enumerá-las no texto. Eu as desconheço. Saudações Tricolores!
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