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Debate • Por Rafael Castro - Foto: Lucas Merçon - Fluminense F.C. • 16 mai 2018
Queremos esquecer a vida "pão com ovo" e comemorar vitórias (por Rafael Castro)

Na semana passada escrevi sobre o time que "vencia batalhas, mas não guerras"...

1. Muitos entenderam que naquele momento, onde apesar da derrota, saímos do confronto acima das nuvens com a classificação, era uma "obrigação" resgatar os "Guerreiros", ir ao aeroporto e até mesmo gritar: "ão ão ão, Gilberto é seleção";

2. Alguns não chegaram a tanto, mas passaram a crer em dias melhores e no amadurecimento de um elenco postulante a uma das vagas à libertadores 2019;

3. Poucos, mas valorosos e nostálgicos, que viveram épocas áureas, em que para enfrentar o FLUMINENSE o adversário já preparava o funeral, se apegaram ao simples fato de que não "comemoravam derrotas", mesmo diante da classificação.

Você, amigo tricolor, não sei em qual das três situações se enquadrou, mas certamente focou seus olhos para o clássico da última segunda-feira com uma pré-disposição maior que nos jogos anteriores.

Quando a bola rolou, muitos enquadrados na situação "3", migraram para "2" e alguns mais eufóricos já pensavam na liderança, na próxima invasão ao aeroporto e até mesmo na briga pelo título.

Um time que não perdia uma dividida com a bola no chão; jogadores que guerreavam a cada palmo do gramado; Sornoza (a quem agradeço por ter lido meu texto de semana passada) chutando todas as bolas possíveis no gol adversário; triangulações de fazer qualquer crítico do "Abelão/retranqueiro/3 zagueiros" recuar no pessimismo e acreditar na proposta de um jogo mais compacto e eficaz, independentemente das posições originais dos atletas.

Tudo indo muito bem até... A fatídica bola aérea na nossa defesa...

Tudo indo muito bem até... A contusão do melhor jogador do Flu no ano (Ayrton)...

Tudo indo muito bem até... Precisarmos contar com Marcos Junior como finalizador, já que o evolutivo Pedro, que merece todo nosso apoio, passou a sair da área em busca de espaço e com isso deixou seus companheiros, sem faro de gol, com liberdade para marcar.

Estava realmente tudo bem, mas se o brasileiro gostasse de futebol bonito, o Cuca não estaria desempregado, haja vista os trabalhos que o mesmo realizou nos últimos anos em times medianos, mas que nos fizeram parar para assistir independentemente da camisa que vestiam seus comandados.

Tenho uma tese de que o brasileiro não gosta de futebol, não gosta de basquete, não gosta de vôlei, não gosta de tênis...

Brasileiro gosta apenas de esquecer sua vida "pão com ovo" e comemorar vitórias, como as que seus times de futebol proporcionam eventualmente, as emocionantes conquistas nacionalistas do Oscar “Mão Santa” Schmidt, o eterno comprometimento do multicampeão Bernardinho e nas vitórias do mais carismático de todos, o nosso Guga, que fez o Tênis virar até esporte de suburbano.

Mas o que isso tem a ver com a derrota "injusta" do nosso tricolor?!

Simples, Sr. Abel!

Nossa segunda derrota no campeonato e o discurso é o mesmo...

O torcedor do Guga, que se sentia em Paris comemorando suas vitórias em Roland Garros, foi abandonando-o quando suas dores do quadril impediam suas vitórias...

Os "apaixonados" do basquete passaram a "amar" vôlei quando o Oscar “Mão Santa” Schmidt se aposentou e quando nossos selecionáveis passaram a nos negar até mesmo uma ida às Olimpíadas.

Muitos dirão que a paixão clubística é diferente, mas eu aposto que numa série de derrotas os mesmos 5.000 de sempre estarão lá, enquanto os "eufóricos" estarão no shopping, no barzinho ou no máximo no ppv.

A vitória é o combustível da paixão, mestre Abel.

Aproveite o apoio da sua torcida, aproveite que seus comandados estão deixando a alma em campo, aproveite que ainda conseguimos vencer algumas "batalhas" para nos deixar seu maior legado: Exigir que nossos dirigentes pensem num FFC grande como sempre foi.

Continue protegendo seus comandados, pois concordo que eles merecem nosso respeito pelo que estão se doando, mas não se omita ao gritar pelos reforços que você pediu e não entregaram, aos que não pediu e lhe "enfiaram goela abaixo" ou sobre qualquer outro assunto que desse a ti condição de expressar à torcida tricolor a ambição que você sempre teve como jogador. Aquela ambição que "vence guerras".

Sonhava com uma vitória e a presença de uns 25.000 "amantes do Guga" no Maraca domingo; com a derrota, jogando bem, que venham os 20.000 e que apoiemos até o fim. Apesar do Abad e do seu grupo político!

 

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