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Artigos • Por Rafael Castro - Foto: Lucas Merçon - Fluminense F.C. • 12 jun 2018
O Brasileirão não é para amadores (por Rafael Castro)

Cada ano que passa os clubes brasileiros entendem mais o formato dos pontos corridos. Os três pontos da primeira rodada valem o mesmo que os três da última rodada. Ganhar do Paraná vale a mesma coisa que ganhar do Corinthians e, saindo da ciência matemática, é também sabido que no período de jogos quarta e domingo, prevalece aqueles que possuem elenco, os mais ricos e/ou organizados.

Não há nenhuma coincidência no fato de que temos os 12 maiores do país (4 do RJ, 4 de SP, 2 de MG e 2 do RS) disputando a série A. Que estes, com a exceção do Santos, estão entre os 12 primeiros colocados do campeonato. Que desses 12, os mais ricos e/ou organizados estão ou estarão entre os 4 ou 6 primeiros e que pelo padrão atual, ninguém se espante, com exceção de seus apaixonados torcedores, em ver Vasco, Fluminense e Botafogo em 10°, 11°, 12° respectivamente.

O abismo financeiro está aumentando. No que tange ao FFC atual, o de caráter organizacional também!

Sou otimista por natureza. Entendo que o futebol tem o poder e a magia que nos faz acreditar que muitas vezes o mais fraco pode ganhar do mais forte, que pobre pode se “deliciar” mais que o rico, mas acima de qualquer coisa, sou apaixonado pelo FFC.

Opa! Acima de qualquer coisa não! Passados os 90 minutos e mais uma noite de sono, retomo a condição de afirmar que, “acima de qualquer coisa”, burro eu não sou e não baterei palmas para os que se fazem, afogados pela paixão.

Ressalto isso porque para um número cada vez maior de torcedores a demissão do Abel passou a ser solução. Um técnico retranqueiro, que manda a campo 3 zagueiros e 3 volantes, que defende os botinudos, que se coloca numa posição super antiética ao aceitar a contratação de João Carlos, jogador agenciado por seu filho, e por fim ainda blinda o Sr. Abad e sua corja, mesmo ciente de que todos os males que estes vêm provocando à instituição FFC, que ele tanto diz amar.

Eu já escrevi sobre o maior legado que o Abel poderia nos deixar. Precisamos de um líder fora do campo. Alguém que tenha moral e respeito de todos, mas não para blindar jogadores ruins, que não possuem a menor condição de vestir nossa camisa, e sim para falar que fazíamos um jogo super respeitável contra o Galo em Minas, até perder os dois laterais e não contar com nenhum no banco. Até o adversário olhar para o banco de reservas e alçar um jogador como o Luan, que no nosso elenco seria um titular intocável, afundando nossas deficiências pelas pontas naquele momento. Abel deveria aproveitar 1 mês sem futebol para jogar a “M” no ventilador. Deveria falar sobre os jogadores que não quer e estão no elenco, pois não temos condições de mandá-los embora (vide Robinho), dos que estão sendo aliciados, com salários atrasados e sem a maturidade para manter o foco, dos jogadores que ele pediu e nunca recebeu, dos que se negaram a vir pela falta de caráter do FFC atual, como nosso último algoz Roger Guedes... Deveria falar que estamos na metade do ano e nosso ÚNICO armador, Sornoza, está “morto” pela natural sobrecarga.

Antes do nosso confronto contra o Grêmio, já temia pelo esfacelamento do time. Exatamente, falei em time, porque elenco já sabíamos que o Fluminense não tinha. Daí, somado às baixas consecutivas de Ibanēz, Ayrton, Marcos Junior, Pedro, entre outros, saímos da segunda colocação para nossa região habitual dos últimos anos (entre 11° e 15°).

Contra o Paraná, jogamos como ABC; Contra o Flamengo, jogamos acreditando que somente a camisa poderia nos trazer pontos. O jogo poderia ter 300 minutos que nosso poder ofensivo estava nulo; Contra o Atlético-MG, um esboço de mais leveza na saída de bola, um meio, mesmo que sem armador, mais cerebral e novamente com um ataque mais respeitável, já que João Carlos é um fenômeno, daqueles que nunca entenderemos como se profissionalizou e como chegou a um clube enorme como o FFC.

Abel certamente tem muitas falhas, mas não tenho dúvidas ao afirmar que no meio de toda corja e diante de tudo que envolve o FFC atualmente, ele tem muito mais pontos positivos que negativos. No meio de tantos “ratos” ele ainda é o porto seguro dos poucos que ainda lutam com honra pela nossa camisa. Abel poderia ocupar a vaga de Autuori, poderia ocupar a vaga de CEO deixada pelo Marcos Vinícius Freire e poderia até liderar um golpe para assumir o poder do Abad/Flusócio que eu o apoiaria.

Falta caráter no Fluminense atual. Falta palavra e isso faz com que jogadores nota 6 não queiram jogar num clube com nossa tradição.

Somos um clube sem identidade atualmente e uma das poucas coisas que nos sobrou foi Abel.

Não adianta sujar muro no meio da madrugada, não adianta pedir saída de treinador, não adianta vaiar estes que ainda estão sangrando diante de suas limitações técnicas e físicas. Se quiser contribuir para mudança, cobre do Abel, mas para falar a verdade e as mentiras que regem o FFC, cobre transparência nos contratos da gestão atual e, principalmente, nos contratos da gestão anterior, que multiplicou nossa dívida, sem nenhum retorno técnico.

No mais, me desculpe quem já investiu seu dinheiro e pensa diferente: Flu Fest é o “C…”. Não sou da roça para “beber defunto”. Não conseguimos mobilizar 300 para um protesto sério, para um acampamento na porta do prédio do nosso presidente, no seu local de trabalho, por sinal um órgão público ou mesmo no clube. Estão arrancando a nossa identidade e tudo que a Flusocio quer no momento é que viremos nosso foco para o treinador.

Chega de hipocrisia e de miopia!

 

 

 

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Marcus Castro - 14/06/2018 às 09h28
Você acha que o Abel com um salário de r$600 mil , iria aceitar ganhar muito menos como CEO ou coordenador? Kkk
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Luiz Mattos - 12/06/2018 às 19h03
Concordo com tudo dito neste texto, mas o Abel podia ajudar errando menos nas substituições e saber mudar o plano tático quando preciso. Se jogássemos num 4-4-2 contrao Paraná tínhamos chancer de ganhar. Se lembra do Lanzini, pois é com Abel era reserva, hoje titular da Argentina, mesma coisa O goleiro uruguaio de amores pra min é titular, mas com Abel ´3º reserva. Aquele gol Roger Guedes se já reparou ele tenta isso em vários jogos, sabe o que isso treino. Será que Abel não estudou o jogo do Atletico, poderia ter evitado esse tipo de jogada, mas não fez nada.
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